xmlns:b='http://www.google.com/2005/gml/b'xmlns:data='http://www.google.com/2005/gml/data' xmlns:expr='http://www.google.com/2005/gml/expr'> Vida Cristã: 2019

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Estou disposta a ir





“Estou disposta a ir”

REBECA olha a paisagem árida, do alto de um camelo, depois de um longo dia. Após semanas de viagem, ela finalmente está se acostumando ao jeito de o camelo andar, balançando de um lado para o outro. Harã, a cidade onde Rebeca foi criada, está bem longe, a centenas de quilômetros. Pode ser que ela nunca mais veja sua família. A viagem está chegando ao fim, e mais do que nunca muitas perguntas passam pela sua cabeça.

A caravana já atravessou boa parte de Canaã e agora está num terreno mais difícil, o Neguebe. (Gênesis 24:62) Provavelmente Rebeca vê ovelhas. Talvez a terra seja árida para muitas plantações, mas tem bastante pasto para criar animais. Seu guia idoso conhece bem esse terreno. Ele não vê a hora de dizer ao seu senhor que encontrou uma esposa para Isaque! Rebeca deve estar se perguntando como será sua vida nesta terra. Que tipo de pessoa Isaque, seu noivo, é? Afinal, eles nunca se viram! Será que ele vai gostar dela? E o que ela vai achar dele?
Em muitos lugares do mundo hoje, casamentos arranjados podem parecer algo estranho. Mas, em outros lugares, esses casamentos são comuns. Não importa a sua cultura, você sem dúvida concorda que Rebeca está numa viagem rumo ao desconhecido. Com certeza, ela é uma mulher de impressionante coragem e fé. Também precisamos dessas qualidades para enfrentar mudanças na vida. Além da fé, Rebeca demonstrou outras belas qualidades que não são muito comuns hoje.

“TIRAREI ÁGUA TAMBÉM PARA OS SEUS CAMELOS”

Como veremos, a grande mudança na vida de Rebeca aconteceu de maneira bem simples. Ela cresceu na Mesopotâmia, na cidade de Harã ou perto dali. Seus pais não adoravam o deus-lua Sin, como a maioria das pessoas de Harã. Eles adoravam a Jeová. — Gênesis 24:50.
Rebeca se tornou uma mulher muito bonita. Mas não se preocupava apenas com a aparência, ela tinha boas qualidades. Era uma mulher determinada e decente. Sua família não era pobre, pois tinha condições de ter servos. Mas isso não quer dizer que Rebeca era mimada ou tratada como uma princesa. Ela era esforçada e trabalhava muito. Assim como muitas mulheres da época, Rebeca realizava serviços pesados, como buscar água para a família. No fim da tarde, ela colocava um jarro no ombro e ia buscar água no poço. — Gênesis 24:11, 15, 16.
Certo dia, depois que ela tinha enchido seu jarro, um homem idoso correu ao encontro dela. Ele disse: “Por favor, dê-me um gole de água do seu jarro.” Foi um pedido simples e feito com muita educação. Rebeca viu que o homem tinha vindo de longe. Sem demora, ela tirou o jarro do ombro e deu água para o homem. Não era apenas um gole de água fresca, mas o suficiente para matar a sede. Ela viu que ali perto havia dez camelos ajoelhados, e os bebedouros ainda não estavam cheios de água. Rebeca percebeu que o homem bondoso a observava atentamente. Ela queria ser muito generosa, por isso disse: “Tirarei água também para os seus camelos até que fiquem saciados.” - Gênesis 24:17-19.
Veja que Rebeca não estava disposta apenas a dar água para os dez camelos, mas a trabalhar até que matassem a sede. Um camelo pode beber mais de 95 litros de água. Se os dez camelos estivessem com muita sede, Rebeca teria horas de trabalho pela frente. Mas parece que os camelos não estavam com tanta sede. Só que Rebeca não sabia disso. Ela estava disposta, até mesmo ansiosa, para fazer o que fosse preciso para mostrar hospitalidade àquele desconhecido. Ele ficou contente com a ideia de ela pegar água. Então ficou observando atentamente, enquanto ela corria para lá e para cá, enchendo e esvaziando o jarro vez após vez. — Gênesis 24:20, 21.
Rebeca dando água aos camelos do servo de Abraão
Rebeca era trabalhadeira e hospitaleira
Rebeca é um excelente exemplo para nós. Vivemos numa época em que o egoísmo é bem comum. Conforme foi predito, as pessoas ‘só amariam a si mesmas’ e não estariam dispostas a fazer sacrifícios pelos outros. (2 Timóteo 3:1-5) Os cristãos que lutam contra essa tendência devem refletir no exemplo dessa jovem, que trabalhou tanto para tirar água para aquele homem idoso.
Com certeza, Rebeca percebeu que o homem a estava observando. Ele não olhava para ela com más intenções; seu olhar refletia admiração e alegria. Quando Rebeca finalmente terminou, ele lhe deu joias preciosas. Então perguntou: “Diga-me, por favor, você é filha de quem?” Daí ele perguntou se havia lugar na casa do pai dela para ele passar a noite. Quando ela disse de que família era, o homem ficou ainda mais contente. Talvez empolgada com a reação dele, Rebeca disse: “Temos tanto palha como muita forragem, e também um lugar para passar a noite.” Esse era um convite e tanto, visto que havia outras pessoas com ele. Então ela foi correndo contar à mãe o que tinha acontecido. — Gênesis 24:22-28, 32.

Fica claro que os pais de Rebeca a ensinaram a mostrar hospitalidade, outra qualidade rara hoje em dia. Esse é mais um motivo para imitarmos a fé dessa jovem bondosa. A fé em Deus deve nos motivar a ser hospitaleiros. Jeová é hospitaleiro, pois é generoso com todos. Ele quer que seus adoradores o imitem. Quando somos hospitaleiros até com quem não pode nos dar nada em troca, agradamos nosso Pai celestial. — Mateus 5:44-46; 1 Pedro 4:9.

“TOMARÁ DALI UMA ESPOSA PARA MEU FILHO”

Quem era aquele homem idoso? Era um servo de Abraão, irmão do avô de Rebeca, e ele foi bem recebido na casa de Betuel, pai de Rebeca. Provavelmente, o nome do servo era Eliézer.  Quando lhe ofereceram uma refeição, ele disse que não comeria nada antes de contar por que estava ali. (Gênesis 24:31-33) Podemos imaginá-lo falando todo animado, pois havia acabado de ver provas bem claras de que seu Deus, Jeová, o estava abençoando nessa importante missão. Como assim?

Imagine Eliézer contando sua história enquanto Betuel, pai de Rebeca, e Labão, o irmão dela, escutavam com muita atenção. Ele contou que Jeová tinha abençoado muito Abraão em Canaã e que Abraão e Sara tinham tido um filho, Isaque, que seria o herdeiro de tudo. Eliézer havia recebido uma missão muito importante de Abraão. Ele devia ir a Harã procurar uma esposa para Isaque entre os parentes de Abraão. — Gênesis 24:34-38.
Abraão fez Eliézer jurar que não escolheria uma mulher de Canaã para ser esposa de Isaque. Por quê? Porque os cananeus não respeitavam nem adoravam a Jeová Deus. Abraão sabia que, na hora certa, Jeová puniria aquelas pessoas por causa das coisas erradas que faziam. Abraão não queria que seu querido filho tivesse nenhuma ligação com aquelas pessoas e suas práticas imorais. Ele também sabia que Isaque teria um papel importante no cumprimento das promessas de Deus. — Gênesis 15:16;17:19; 24:2-4.
Eliézer contou que, quando chegou ao poço perto de Harã, orou a Jeová Deus. Na verdade, ele pediu que Jeová escolhesse a jovem que se casaria com Isaque e que a jovem escolhida viesse ao poço. Quando ele pedisse algo para beber, ela devia se oferecer para dar água não apenas a ele, mas também aos seus camelos. (Gênesis 24:12-14) E foi Rebeca quem veio e fez exatamente isso. Imagine como ela deve ter se sentido caso tivesse ouvido Eliézer contar a história!
Betuel e Labão ficaram emocionados com o que Eliézer contou. Eles disseram: “Isso vem de Jeová.” Como era costume, eles fizeram um pacto de casamento, prometendo dar Rebeca como esposa a Isaque. (Gênesis 24:50-54) Mas será que Rebeca tinha que aceitar tudo sem dizer nada?
Semanas antes, Eliézer tinha falado sobre isso com Abraão. Ele perguntou: “E se a mulher não estiver disposta a vir comigo?” Abraão lhe disse que nesse caso ele não precisaria mais cumprir o juramento. (Gênesis 24:39, 41) Na casa de Betuel, a opinião da jovem Rebeca também era importante. Eliézer ficou muito animado com o resultado da sua missão. Por isso, na manhã seguinte, perguntou se já podia levá-la para Canaã. Mas a família queria que ela ficasse pelo menos mais dez dias. Por fim, eles decidiram o seguinte: “Chamemos a moça e perguntemos a ela.” — Gênesis 24:57.
Agora Rebeca tinha que tomar uma importante decisão que mudaria sua vida. O que ela diria? Será que aproveitaria a boa vontade do pai e do irmão e pediria para não ir nessa viagem rumo ao desconhecido? Ou acharia uma honra participar nos acontecimentos que Jeová estava manobrando? Sua resposta mostrou como ela encarava essa mudança repentina. Era um grande desafio, mas ela simplesmente disse: “Estou disposta a ir.” — Gênesis 24:58.
Que notável disposição! Pode ser que os costumes sobre casamento hoje sejam bem diferentes. Mesmo assim, podemos aprender muito do exemplo de Rebeca. Para ela, o que Jeová pensava era mais importante do que a sua opinião. A Palavra de Deus ainda tem os melhores conselhos sobre casamento. Ela fala sobre como escolher uma boa pessoa com quem se casar e como ser um bom marido ou uma boa esposa. (2 Coríntios 6:14, 15; Efésios 5:28-33) Devemos imitar o exemplo de Rebeca e procurar seguir as orientações de Jeová.

 
“QUEM É AQUELE HOMEM?”

A família de Betuel abençoou Rebeca, que tanto amavam. Então Rebeca, algumas servas e Débora — que tinha cuidado dela quando era criança —, partiram com Eliézer e seus homens. (Gênesis 24:59-61; 35:8) Logo, Harã ficou bem para trás. Era uma viagem longa, mais ou menos 800 quilômetros, e talvez durasse três semanas. Pelo jeito, não era uma viagem nada confortável. Não podemos afirmar que Rebeca estava acostumada a andar de camelo, embora ela tivesse visto muitos durante sua vida. A Bíblia diz que a família dela criava ovelhas, não que eram comerciantes que viajavam de camelo. (Gênesis 29:10) Quem não está acostumado a andar de camelo muitas vezes reclama, mesmo depois de uma viagem curta.
De qualquer modo, Rebeca se concentrou no que ainda viria pela frente. Ela prestou atenção em tudo que Eliézer contou sobre Isaque e a família dele. Imagine aquele homem idoso conversando com ela no fim do dia, perto de uma fogueira, falando sobre a promessa que Jeová tinha feito ao Seu amigo Abraão. Deus faria surgir da linhagem de Abraão um descendente que abençoaria toda a humanidade. Rebeca deve ter ficado muito impressionada ao perceber que a promessa de Jeová se cumpriria por meio de seu futuro marido, Isaque, e também por meio dela. — Gênesis 22:15-18.
Rebeca cobre a cabeça com um xale e se prepara para encontrar Isaque
    A humildade de Rebeca é uma qualidade rara e preciosa hoje
Finalmente chegou o dia mencionado no início deste artigo. A caravana estava no Neguebe, e já anoitecia quando Rebeca viu um homem andando pelo campo. Ele parecia pensativo. A Bíblia diz que ela “desceu rapidamente do camelo”. Pode ser que nem tenha esperado o camelo se ajoelhar. Ela perguntou a Eliézer: “Quem é aquele homem que vem andando pelo campo ao nosso encontro?” Quando soube que era Isaque, ela cobriu a cabeça com um véu. (Gênesis 24:62-65) Por quê? Pelo visto, esse gesto era um sinal de respeito pelo futuro marido. Alguns hoje talvez achem que esse tipo de submissão está fora de moda. Mas, na realidade, tanto homens como mulheres podem aprender uma lição com Rebeca. Todos nós precisamos ter mais humildade, pois essa é uma excelente qualidade.
Isaque tinha cerca de 40 anos e ainda estava triste por causa da morte de sua mãe, Sara. Ela tinha morrido uns três anos antes. Podemos concluir, então, que Isaque era um homem amoroso e de sentimentos profundos. Receber como esposa uma mulher tão esforçada, hospitaleira e humilde seria uma bênção para Isaque. Será que eles se dariam bem? A Bíblia simplesmente diz que “Isaque se apaixonou por ela”. — Gênesis 24:67; 26:8.

Até mesmo para nós, quase 4 mil anos depois, é fácil sentir amor por Rebeca. Não podemos deixar de admirar sua coragem, hospitalidade, humildade e disposição para trabalhar. Todos nós — jovens e adultos, homens e mulheres, casados e solteirosdevemos imitar a sua fé!

domingo, 28 de julho de 2019

Uma mulher de bem



CAPÍTULO CINCO

“Uma mulher de bem”


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1,2. (a) Que tipo de trabalho Rute estava fazendo? (b) Rute ficou sabendo de que aspectos positivos sobre a Lei de Deus e seu povo?
RUTE se ajoelhou perto da pilha de cevada que ajuntou durante o dia. A noite caía nos campos ao redor de Belém, e muitos trabalhadores já se dirigiam ao portão da pequena cidade situada no topo de uma serra ali perto. Rute estava com os músculos doloridos depois de um longo dia de trabalho, que tinha começado bem cedo. Ainda assim, ela continuou trabalhando, batendo nas hastes com uma pequena vara para soltar os grãos. Apesar de tudo, o dia tinha sido bom — muito melhor do que ela esperava.
Será que as coisas finalmente melhorariam para essa jovem viúva? Como vimos no capítulo anterior, ela tinha se apegado a Noemi, sua sogra, jurando que ficaria com ela e que se tornaria adoradora de Jeová, o Deus de Noemi. As duas viúvas tinham saído de Moabe e ido para Belém, e Rute, que era moabita, logo ficou sabendo que a Lei de Jeová fazia provisões práticas e dignas para os pobres em Israel, incluindo os estrangeiros. Agora ela podia observar alguns dos servos de Jeová, que seguiam a Lei e eram treinados por ela, agirem de um modo que revelava espiritualidade e bondade. Isso tocou seu coração tão sofrido.
3, 4. (a) Como Boaz encorajou Rute? (b) Como o exemplo de Rute pode nos ajudar nesta época de grandes dificuldades econômicas?
Um desses servos foi Boaz, um homem rico, de mais idade. Era nos campos dele que Rute respigava. Naquele dia, ele havia reparado em Rute e sentido um carinho paternal por ela. Com certeza, ela ficou contente no seu íntimo ao pensar nas palavras bondosas dele, elogiando-a por cuidar da idosa Noemi e por buscar proteção sob as asas do Deus verdadeiro, Jeová. — Leia Rute 2:11-14.
Mesmo assim, Rute talvez se preocupasse com seu futuro. Visto que era estrangeira, pobre e não tinha marido nem filhos, como ela sustentaria a si mesma e à sua sogra nos anos à frente? 

Será que respigar seria suficiente? E quem cuidaria dela quando envelhecesse? Seria natural que ela se preocupasse com isso. Muitos têm ansiedades similares nesta época de grandes dificuldades econômicas. Ao analisarmos como a fé de Rute a ajudou a enfrentar esses desafios, veremos muitas coisas que podemos imitar.

O que é uma família?

5, 6. (a) O que Rute conseguiu no primeiro dia de respiga no campo de Boaz? (b) Qual foi a reação de Noemi ao ver Rute?
Quando acabou de bater os grãos e ajuntá-los, Rute viu que havia respigado aproximadamente 1 efa de cevada, ou 22 litros. Pode ser que sua carga pesasse uns 14 quilos. Rute talvez tenha embrulhado tudo num pano, colocado sobre a cabeça e partido para Belém ao anoitecer. — Rute 2:17.
Noemi ficou feliz de ver sua querida nora e talvez tenha ficado surpresa ao notar a pesada carga de cevada que Rute trazia. Visto que Rute também havia trazido sobras dos alimentos que Boaz tinha providenciado para os trabalhadores, as duas tomaram uma refeição simples. Noemi perguntou: “Onde respigaste hoje e onde trabalhaste? Torne-se bendito aquele que reparou em ti.” (Rute 2:19) Noemi estava atenta — a grande quantidade de provisões que Rute havia conseguido mostrava que alguém tinha reparado na jovem viúva e a tinha tratado com bondade.
7, 8. (a) Noemi encarou a bondade de Boaz como vinda de quem, e por quê? (b) De que outro modo Rute demonstrou amor leal à sua sogra?
As duas começaram a conversar, e Rute disse a Noemi como Boaz tinha sido bondoso. Comovida, Noemi exclamou: “Bendito seja ele por Jeová que não abandonou a sua benevolência para com os vivos e os mortos.” (Rute 2:20) Ela encarou a bondade de Boaz como vinda de Jeová, que move seus servos a ser generosos e promete recompensá-los por sua bondade.

* — Leia Provérbios 19:17.

Noemi incentivou Rute a aceitar a oferta de Boaz de continuar respigando em seus campos e de ficar perto das moças da casa dele, para não ser importunada pelos ceifeiros. Rute aceitou esse conselho. Ela também continuou a ‘morar com a sua sogra’. (Rute 2:22, 23) Vemos aqui de novo a qualidade mais notável de Rute — o amor leal. Seu exemplo pode nos fazer refletir: será que 

prezamos nossos laços familiares, apoiando lealmente as pessoas que amamos e ajudando-as quando necessário? Esse amor leal nunca passa despercebido de Jeová.

O exemplo de Rute e Noemi nos motiva a dar valor à nossa família
9. O que o exemplo de Rute e Noemi nos ensina sobre a família?
Será que podemos dizer que Rute e Noemi formavam uma família? Para alguns, uma família só é considerada família no pleno sentido quando todos os papéis são preenchidos — marido, esposa, filhos, avós e assim por diante. Mas o exemplo de Rute e Noemi mostra que até mesmo duas pessoas podem ser consideradas uma família se demonstrarem carinho, bondade e amor entre si. Seja qual for o seu caso, você dá valor à sua família? Jesus lembrou a seus seguidores que a congregação cristã pode se tornar uma família para quem não tem nenhuma. — Mar. 10:29, 30.


Rute e Noemi tomando uma refeição simples


Rute e Noemi ajudaram e animaram uma à outra

“Ele é um dos nossos resgatadores”

10. De que maneira Noemi queria ajudar Rute?
10 Rute continuou a respigar nos campos de Boaz desde a colheita da cevada, em abril, até a colheita do trigo, em junho. À medida que as semanas passavam, Noemi sem dúvida pensava cada vez mais no que poderia fazer por sua nora. Quando ainda estavam em Moabe, Noemi achava que jamais poderia ajudar Rute a encontrar outro marido. (Rute 1:11-13) Mas agora começava a pensar de outra forma. Ela disse a Rute: “Minha filha, não devia eu procurar-te um lugar de descanso?” (Rute 3:1) Naquele tempo, era costume os pais procurarem um cônjuge para os filhos, e Rute de fato havia se tornado como uma filha para Noemi. Ela queria achar “um lugar de descanso” para Rute — referindo-se à segurança e proteção que um lar e um marido proporcionariam. Mas o que Noemi poderia fazer?
11, 12. (a) Quando Noemi disse que Boaz era um “resgatador”, a que provisão da Lei de Deus ela se referia? (b) Qual foi a reação de Rute ao conselho de sua sogra?
11 Quando Rute falou de Boaz pela primeira vez, Noemi disse: “O homem é aparentado conosco. Ele é um dos nossos resgatadores.” (Rute 2:20) O que isso significava? A Lei de Deus para Israel incluía provisões amorosas para as famílias que passassem por dificuldades devido a pobreza ou luto. Se uma mulher ficasse viúva sem ter filhos, ela se sentiria ainda mais aflita porque isso impediria que a descendência e o nome de seu marido continuassem 

nas gerações futuras. Mas a Lei de Deus permitia que o irmão do marido se casasse com a viúva. Assim ela poderia dar à luz um herdeiro que desse continuidade ao nome do falecido e cuidasse dos bens da família.* — Deut. 25:5-7.

12 Noemi pensou num plano e contou a Rute. Podemos imaginar o olhar surpreso de Rute ao passo que sua sogra falava. A Lei de Israel ainda era algo novo para Rute, e muitos dos costumes eram um pouco estranhos para ela. No entanto, sua consideração por Noemi era tão grande que ela ouviu atentamente cada palavra. O que Noemi aconselhou Rute a fazer talvez tenha parecido estranho ou embaraçoso, até mesmo humilhante, mas ela escutou o conselho e humildemente disse: “Farei tudo o que me disseres.” — Rute 3:5.
13. O que o exemplo de Rute nos ensina sobre aceitar conselhos dos mais velhos? (Veja também Jó 12:12.)
13 Às vezes é difícil para os jovens ouvir os conselhos dos mais velhos e experientes. É fácil achar que os mais velhos não conseguem realmente entender os problemas e desafios que os jovens enfrentam. O exemplo de humildade de Rute nos lembra que ouvir a sabedoria de pessoas mais velhas que nos amam e querem o nosso melhor pode ser muito recompensador. (Leia Salmo 71:17, 18.Mas qual foi o conselho de Noemi, e será que Rute foi mesmo recompensada por aplicá-lo?

 
Rute na eira

14. O que era uma eira, e o que se fazia ali?
14 Naquele dia, ao anoitecer, Rute foi até a eira — uma área plana de terra batida onde os lavradores levavam os grãos para ser debulhados e joeirados. Normalmente, se escolhia um lugar numa encosta ou no alto de uma colina, onde as brisas eram mais fortes no fim da tarde e começo da noite. Para separar os grãos do restolho e da palha, usavam-se grandes forquilhas ou pás. A mistura era lançada para o alto de modo que o vento levava embora a palha, que era mais leve, e os grãos caíam no chão.
15, 16. (a) Descreva o que aconteceu depois que Boaz terminou o trabalho. (b) Como Boaz descobriu que Rute estava deitada aos seus pés?
15 Rute ficou observando discretamente à medida que o serviço era concluído. Boaz supervisionou o trabalho de joeirar os grãos, que eram amontoados em grande quantidade. Depois de uma boa refeição, ele se deitou perto do monte de cereal. Pelo visto, naquela época era costume fazer isso, talvez para proteger a preciosa colheita contra ladrões ou saqueadores. Rute viu Boaz se deitar; era o momento de pôr o plano de Noemi em ação.
16 Com o coração acelerado, Rute se aproximou lentamente. Dava para ver que Boaz estava num sono profundo. Assim, conforme Noemi tinha dito, ela descobriu os pés dele e se deitou ali perto. Depois aguardou. O tempo foi passando, mas para Rute deve ter parecido uma eternidade. Por fim, perto da meia-noite, Boaz começou a se mexer. Tremendo de frio, ele se esticou para cobrir os pés. Então, percebeu que havia alguém ali. Conforme 

o relato diz, “havia uma mulher deitada aos seus pés!” — Rute 3:8.

17. De que dois detalhes se esquecem os que dão a entender que havia algo impróprio nas ações de Rute?
17 “Quem és tu?”, perguntou ele. Rute respondeu, talvez com a voz trêmula: “Sou Rute, tua escrava, e tens de estender a tua aba sobre a tua escrava, visto que és resgatador.” (Rute 3:9) Alguns comentaristas bíblicos dão a entender que as ações e as palavras de Rute tinham certa conotação sexual. Mas eles se esquecem de dois detalhes. Primeiro, Rute estava agindo de acordo com os costumes da época, muitos dos quais se perderam no tempo. Assim, seria um erro comparar as ações dela com os baixos padrões morais de nossos dias. Segundo, Boaz respondeu de uma maneira que deixa claro que ele encarava a conduta de Rute moralmente casta e muito elogiável.

Rute conversando com Boaz durante a noite


A motivação de Rute ao procurar Boaz era pura e altruísta
18. O que Boaz disse para acalmar Rute, e a que duas expressões da benevolência dela ele se referia?
18 Sem dúvida, o tom gentil e suave de Boaz acalmou Rute. Ele disse: “Que Jeová te abençoe, minha filha. Expressaste a tua benevolência melhor no último caso do que no primeiro, não indo atrás dos jovens, quer o de condição humilde, quer o rico.” (Rute 3:10) A expressão “no primeiro [caso]” referia-se ao amor leal de Rute em acompanhar Noemi de volta para Israel e cuidar dela. Já a expressão “no último caso” tinha a ver com o que estava acontecendo naquela ocasião. Boaz notou que uma jovem mulher como Rute poderia facilmente ter procurado um marido entre os homens bem mais novos, quer fossem ricos, quer pobres. Em vez disso, ela procurou o bem não só de Noemi, mas também do marido falecido de Noemi, por dar continuidade ao nome da família na terra dele. Não é difícil ver por que Boaz ficou tão impressionado com o altruísmo dessa jovem mulher.
19, 20. (a) Por que Boaz não quis se casar com Rute imediatamente? (b) De que maneiras Boaz foi bondoso e sensível com Rute e mostrou que se preocupava com a reputação dela?
19 Boaz continuou: “E agora, minha filha, não tenhas medo. Farei para ti tudo o que disseres, pois todos no portão do meu povo se apercebem de que és uma mulher de bem.” (Rute 3:11) Ele gostou da ideia de se casar com Rute; talvez até certo ponto 

esperasse que ela pedisse que ele fosse o resgatador dela. Mas Boaz era um homem correto e não queria fazer as coisas simplesmente segundo suas preferências. Ele disse a Rute que havia outro resgatador, um parente mais próximo da família do marido falecido de Noemi. Boaz falaria primeiro com esse homem para lhe dar a oportunidade de se tornar marido de Rute.

Por tratar outros com bondade e respeito, Rute conquistou uma excelente reputação
20 Boaz sugeriu que Rute se deitasse de novo e descansasse até pouco antes do amanhecer; então ela poderia ir embora discretamente. Ele queria proteger tanto a reputação dela como a dele, visto que as pessoas poderiam pensar que algo imoral havia acontecido. Rute se deitou de novo aos pés de Boaz, talvez agora mais tranquila após ouvir uma resposta tão bondosa ao seu pedido. Depois, enquanto ainda estava escuro, ela se levantou. Boaz encheu a manta de Rute com uma porção generosa de cevada, e ela voltou a Belém. — Leia Rute 3:13-15.
21. O que fez com que Rute fosse conhecida como “uma mulher de bem”, e como podemos imitar seu exemplo?
21 Deve ter sido muito bom para Rute pensar no que Boaz tinha dito — que ela era “uma mulher de bem”. Sem dúvida, essa reputação se devia em boa parte à vontade que ela tinha de conhecer a Jeová e servi-lo. Ela também havia mostrado grande bondade e sensibilidade com Noemi e seu povo, por estar disposta a adaptar-se a costumes que para ela certamente eram desconhecidos. Se imitarmos a fé de Rute, nos esforçaremos em respeitar as pessoas e seus costumes. Assim, também poderemos criar uma excelente reputação.

Um lugar de descanso para Rute

22, 23. (a) O que talvez significasse a porção que Boaz deu a Rute? (Veja também a nota.) (b) Que conselho Noemi deu a Rute?
22 “Quem és, minha filha?”, perguntou Noemi quando Rute chegou. Ela talvez tenha perguntado isso porque estava escuro. Mas Noemi também queria saber se Rute ainda estava na mesma situação de viúva descompromissada ou se agora havia a possibilidade de um casamento. Rute logo contou a Noemi sobre sua conversa com Boaz. Também mostrou a porção generosa que Boaz tinha lhe pedido para entregar a Noemi.* — Rute 3:16, 17.

23 Noemi sabiamente aconselhou Rute a ficar em casa em vez de sair para respigar nos campos. Ela garantiu a Rute: “O homem não terá sossego a menos que leve o assunto ainda hoje a término.” — Rute 3:18.

24, 25. (a) Como Boaz mostrou que era um homem correto e altruísta? (b) De que maneiras Rute foi abençoada?
24 Noemi tinha razão. Boaz foi ao portão da cidade, onde os anciãos costumavam se reunir, e esperou que aquele parente mais próximo passasse. Perante testemunhas, Boaz lhe deu a oportunidade de atuar como resgatador por se casar com Rute. Mas o homem recusou, alegando que isso prejudicaria sua própria herança. Assim, perante as testemunhas no portão da cidade, Boaz declarou que agiria como resgatador, comprando tudo que pertencia a Elimeleque, marido de Noemi, e casando-se com Rute, viúva de Malom, filho de Elimeleque. Boaz disse que com isso ele esperava ‘fazer que se levantasse o nome do morto sobre a sua herança’. (Rute 4:1-10) Boaz era mesmo um homem correto e altruísta.
25 Boaz se casou com Rute. Então o relato diz: “Jeová concedeu-lhe conceber e ela deu à luz um filho.” As mulheres de Belém abençoaram Noemi e elogiaram Rute. Disseram que ela era para Noemi “melhor do que sete filhos”. O relato mostra que o filho de Rute se tornou ancestral do grande Rei Davi. (Rute 4:11-22) Davi, por sua vez, foi ancestral de Jesus Cristo. — Mat. 1:1.

Noemi segurando o filho de Rute e Boaz enquanto outros observam


Jeová abençoou Rute com o privilégio de ser ancestral do Messias
26. O exemplo de Rute e Noemi nos lembra de quê?
26 Rute realmente foi abençoada, assim como Noemi, que ajudou a cuidar da criança como se fosse seu filho. A vida dessas duas mulheres é um belo lembrete de que Jeová Deus nota o esforço de quem trabalha de modo humilde para cuidar de sua família e o serve lealmente com seu povo escolhido. Jeová sempre recompensa pessoas fiéis como Boaz, Noemi e Rute.



terça-feira, 23 de julho de 2019

Aonde quer que fores, irei eu




CAPÍTULO QUATRO

“Aonde quer que fores, irei eu”


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1, 2. (a) Descreva a viagem de Rute e Noemi e a dor que elas sentiam. (b) Em que sentido as jornadas de Rute e Noemi eram diferentes?
RUTE estava andando ao lado de Noemi numa estrada que se estendia pelos áridos planaltos de Moabe. Não havia mais ninguém além das duas no meio daquela imensa paisagem. Já era quase noite, e Rute olhava para sua sogra, talvez se perguntando se não seria melhor procurar um lugar para dormir. Rute tinha muito carinho por Noemi e faria todo o possível para cuidar dela.
As duas levavam no coração uma grande dor. Noemi era viúva já por muitos anos, mas agora chorava a morte de seus dois filhos, Quiliom e Malom. Rute também estava de luto. Malom era seu marido. Ela e Noemi iam para o mesmo lugar, a cidade de Belém, em Israel. Mas, de certa forma, suas jornadas eram diferentes. Noemi estava voltando para casa, ao passo que Rute estava partindo para o desconhecido, deixando para trás sua família, bem como sua terra natal com todos os seus costumes, incluindo seus deuses. — Leia Rute 1:3-6.
3. A resposta a que perguntas nos ajudará a imitar a fé de Rute?
Por que uma jovem mulher faria uma mudança tão drástica? Onde Rute encontraria forças para recomeçar a vida e cuidar de Noemi? A resposta a essas perguntas destacará vários aspectos da fé de Rute que podemos imitar. (Veja também o quadro “

Uma obra-prima em miniatura”.) Primeiro, vejamos o que levou essas duas mulheres a iniciar aquela longa viagem para Belém.

Uma família dilacerada pela tragédia

4, 5. (a) Por que a família de Noemi se mudou para Moabe? (b) Que desafios Noemi enfrentou em Moabe?
Rute cresceu em Moabe, um pequeno país ao leste do mar Morto. A região era composta basicamente de planaltos pouco arborizados, cortados por vales profundos. Os “campos de Moabe” em geral eram férteis, mesmo quando a fome assolava 

Israel. De fato, foi por isso que Rute conheceu Malom e sua família. — Rute 1:1.

Por causa de uma fome em Israel, o marido de Noemi, Elimeleque, tinha decidido sair de sua terra com a família. Foram morar em Moabe como estrangeiros. Essa mudança deve ter sido desafiadora para a fé de cada um deles, pois os israelitas precisavam adorar regularmente no lugar sagrado escolhido por Jeová. (Deut. 16:16, 17) Noemi conseguiu manter viva sua fé, mas sofreu muito com a morte de seu marido. — Rute 1:2, 3.
6, 7. (a) Por que Noemi talvez tenha ficado preocupada quando seus filhos se casaram com moabitas? (b) Por que é elogiável o modo como Noemi tratava suas noras?
Noemi também deve ter sofrido quando seus filhos se casaram com mulheres moabitas. (Rute 1:4) Ela sabia que Abraão, antepassado de Israel, não havia medido esforços para procurar entre seu povo alguém que adorasse a Jeová para se casar com seu filho, Isaque. (Gên. 24:3, 4) Mais tarde, a Lei mosaica deixou claro que os israelitas não deviam permitir que seus filhos e filhas se casassem com estrangeiros, para que o povo de Deus não se desviasse para a idolatria. — Deut. 7:3, 4.
Ainda assim, Malom e Quiliom se casaram com moabitas. Mesmo que Noemi tenha ficado preocupada ou decepcionada, pelo visto ela fez de tudo para mostrar bondade e amor às suas noras, Rute e Orpa. Talvez esperasse que um dia elas também se tornassem adoradoras de Jeová. De qualquer modo, tanto Rute como Orpa gostavam muito de Noemi, e esse bom relacionamento foi de grande ajuda quando a família foi atingida por uma tragédia. Antes que tivessem filhos, as duas jovens mulheres ficaram viúvas. — Rute 1:5.
8. O que talvez tenha atraído Rute a Jeová?
Será que a formação religiosa de Rute a tinha preparado para uma tragédia dessas? Dificilmente. Os moabitas adoravam vários deuses, sendo Quemós o principal. (Núm. 21:29) Parece que a religião moabita também recorria à brutalidade e aos horrores tão comuns naquela época, incluindo o sacrifício de crianças. Isso com certeza era muito diferente de tudo o que Rute havia aprendido com Malom ou Noemi sobre o amoroso e misericordioso Deus de Israel, Jeová. Ele governa por meio do amor, não do terror. (Leia Deuteronômio 6:5.Com sua trágica perda, Rute deve ter se apegado ainda mais a Noemi e escutado com interesse o que essa mulher idosa tinha a dizer sobre o Deus 

todo-poderoso, suas obras maravilhosas e seu modo amoroso e misericordioso de lidar com seu povo.



Rute e Noemi se abraçam ao dividir seu pesar pela morte de seus maridos


Rute sabiamente se apegou a Noemi num período de perda e pesar
9-11. (a) Que decisão Noemi, Rute e Orpa tomaram? (b) O que podemos aprender das tragédias que Noemi, Rute e Orpa sofreram?
Noemi, por sua vez, estava ansiosa para ter notícias de sua terra. Certo dia, ela ouviu, talvez de um comerciante viajante, que a fome em Israel havia acabado. Jeová tinha voltado sua atenção para seu povo. Belém novamente fazia jus a seu nome, que significa “casa de pão”. Por isso, Noemi decidiu voltar. — Rute 1:6.
10 O que Rute e Orpa fariam? (Rute 1:7) Durante suas aflições, elas haviam se achegado muito a Noemi. Parece que Rute, em especial, havia se afeiçoado a Noemi por causa de sua bondade e forte fé em Jeová. As três viúvas partiram juntas rumo a Judá.
11 O relato de Rute nos lembra que tragédias e perdas acontecem tanto a pessoas boas e honestas como a pessoas más. (Ecl. 9:2,11) Mostra também que, diante de uma perda difícil de suportar, é bom recorrer ao consolo de outros — especialmente dos que se refugiam em Jeová, o Deus de Noemi. — Pro. 17:17.

O amor leal de Rute

12, 13. Por que Noemi queria que Rute e Orpa voltassem para casa em vez de acompanhá-la, e qual foi a reação inicial das duas jovens mulheres?
12 Depois de muitos quilômetros de caminhada, Noemi começou a ter outra preocupação. Ficou pensando naquelas duas jovens e no amor que haviam mostrado por ela e por seus filhos. Noemi não suportava a ideia de agora ser mais um fardo para elas. Se deixassem sua terra natal e a acompanhassem até Belém, o que Noemi poderia fazer por elas?
13 Por fim, Noemi disse: “Ide, voltai, cada uma à casa de sua mãe. Que Jeová use de benevolência para convosco assim como vós usastes de benevolência para com os homens agora já mortos e para comigo.” Ela também expressou a esperança de que 

Jeová as recompensaria com outros maridos e uma vida nova. O relato continua: “Então as beijou, e elas começaram a levantar as suas vozes e a chorar.” Não é difícil ver por que Rute e Orpa sentiam tanta afeição por essa mulher altruísta e de bom coração. As duas insistiam: “Não, mas voltaremos contigo ao teu povo.” — Rute 1:8-10.

14, 15. (a) Orpa voltou para o quê? (b) Como Noemi tentou convencer Rute a voltar?
14 No entanto, Noemi não se deixou convencer facilmente. Argumentou com insistência que não podia fazer muito pelas duas em Israel. Ela não tinha marido para sustentá-la nem filhos com quem elas pudessem se casar, e não havia nenhuma perspectiva de isso mudar. Daí, disse que sua incapacidade de cuidar delas era um motivo de amargura. Para Orpa, as palavras de Noemi faziam sentido. Sua família, sua mãe e sua casa estavam em Moabe, esperando por ela. Realmente parecia mais prático permanecer em Moabe. Assim, com grande tristeza, ela beijou Noemi e foi embora. — Rute 1:11-14.
15 O que dizer de Rute? Os argumentos de Noemi também valiam para ela. Mas o relato diz: “Quanto a Rute, apegou-se a ela.” Noemi talvez já tivesse retomado a viagem quando percebeu que Rute a estava seguindo. Então disse: “Eis que a tua cunhada enviuvada voltou ao seu povo e aos seus deuses. Volta com a tua cunhada enviuvada.” (Rute 1:15) As palavras de Noemi revelam um detalhe importante. Orpa tinha voltado não só para seu povo, mas também para “seus deuses”. Ela não se importava de continuar a adorar Quemós e outros deuses falsos. E Rute? Será que também pensava assim?
16-18. (a) Como Rute demonstrou amor leal? (b) O que o exemplo de Rute nos ensina sobre o amor leal? (Veja também a gravura das duas mulheres.)

16 Vendo Noemi naquela estrada deserta, Rute não tinha dúvida do que sentia. Seu coração transbordava de amor por Noemi — e pelo Deus a quem ela servia. Assim, Rute disse: “Não instes comigo para te abandonar, para recuar de te acompanhar; pois, aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pernoitares, pernoitarei eu. Teu povo será o meu povo, e teu Deus, o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei enterrada. Assim me faça Jeová e assim lhe acrescente mais, se outra coisa senão a morte fizer separação entre mim e ti.” — Rute 1:16, 17.



Rute falando a Noemi: “Aonde quer que fores, irei eu”


“Teu povo será o meu povo, e teu Deus, o meu Deus”
17 As palavras de Rute são notáveis. Tanto é que ficaram para a História, resistindo até os nossos dias — 3 mil anos depois. Elas expressam de modo perfeito uma qualidade preciosa, o amor leal. O amor de Rute era tão forte, tão leal, que ela iria com Noemi para onde quer que ela fosse. Apenas a morte poderia separá-las. O povo de Noemi se tornaria seu próprio povo, pois Rute estava disposta a deixar para trás tudo que conhecia em Moabe — incluindo os deuses moabitas. Ao contrário de Orpa, Rute podia dizer com toda a sinceridade que queria que o Deus de Noemi, Jeová, também fosse seu Deus.

*

18 Então as duas, agora sozinhas, continuaram a longa viagem para Belém. Segundo uma estimativa, essa viagem pode ter levado uma semana. Mas, com certeza, elas encontraram na companhia uma da outra certa medida de consolo para seu pesar.
19. Como podemos imitar o amor leal de Rute na família, entre amigos e na congregação?
19 O mundo está repleto de sofrimento e pesar. Em nossos dias, que a Bíblia chama de “tempos críticos, difíceis de manejar”, enfrentamos todo tipo de perda e dor. (2 Tim. 3:1) Portanto, a qualidade demonstrada por Rute é agora mais importante do que nunca. O amor leal — o amor que se apega a algo e simplesmente se recusa a largá-lo — é uma força poderosa para o bem neste mundo cada vez mais em escuridão. Precisamos dele no casamento, no relacionamento com nossos parentes e amigos, bem como na congregação cristã. (Leia 1 João 4:7, 8, 20.Por cultivarmos esse tipo de amor, imitamos o excelente exemplo de Rute.

 
Rute e Noemi em Belém

20-22. (a) Que efeito os anos que Noemi passou em Moabe tiveram sobre ela? (b) Que ponto de vista errado Noemi tinha sobre suas dificuldades? (Veja também Tiago 1:13.)
20 Naturalmente, uma coisa é falar de amor leal; outra bem diferente é colocá-lo em prática. Rute tinha diante de si a oportunidade de mostrar seu amor leal não só por Noemi, mas também pelo Deus a quem escolheu adorar, Jeová.
21 As duas por fim chegaram a Belém, uma pequena cidade uns 10 quilômetros ao sul de Jerusalém. Parece que Noemi e sua família haviam tido algum destaque no passado, pois todos estavam falando sobre seu retorno. As mulheres olhavam para ela e diziam: “É esta Noemi?” Pelo visto, ela estava bem diferente de quando partiu de Belém; os anos de dificuldades e sofrimento em Moabe haviam deixado marcas em seu semblante e em seu corpo. — Rute 1:19.
22 Noemi disse a essas mulheres como sua vida tinha se tornado amarga. Ela até achava que seu nome devia ser mudado de Noemi, que significa “minha agradabilidade”, para Mara, que significa “amarga”. Pobre Noemi! Assim como Jó, que viveu antes dela, Noemi achava que tinha sido Jeová Deus que havia causado suas dificuldades. — Rute 1:20, 21; Jó 2:10; 13:24-26.
23. Em que Rute começou a pensar, e que provisão a Lei mosaica tinha para os pobres? (Veja também a nota.)
23 Quando as duas se estabeleceram em Belém, Rute começou a pensar em qual seria o melhor modo de cuidar de si mesma e de Noemi. Ela soube que a Lei que Israel havia recebido de Jeová incluía uma provisão amorosa para os pobres. Eles tinham permissão de entrar nos campos na época da colheita e seguir os ceifeiros, respigando o que fosse deixado para trás e o que crescia nas beiradas dos campos.


24, 25. O que Rute fez quando chegou aos campos de Boaz, e como era respigar nesses campos?

24 Era a época da colheita da cevada, provavelmente abril em nosso calendário atual, e Rute foi aos campos para ver quem a deixaria respigar. Ela foi parar nos campos de Boaz, um rico proprietário de terras e parente de Elimeleque, falecido marido de Noemi. Embora a Lei lhe desse o direito de respigar, ela achou melhor pedir permissão ao rapaz responsável pelos ceifeiros. Então, Rute começou o trabalho imediatamente. — Rute 1:22–2:3, 7.

25 Imagine Rute seguindo os ceifeiros. À medida que eles cortavam a cevada com suas foices de pedra, ela se abaixava para pegar o que caía ou o que eles deixavam para trás. Depois, amarrava as hastes em feixes e os carregava para um lugar onde mais tarde pudesse debulhar os grãos. Era um trabalho lento e cansativo que ficava cada vez mais difícil com o passar do dia. Mas Rute continuava a trabalhar, parando apenas para enxugar o suor do rosto e tomar uma refeição simples “na casa”, talvez um abrigo que provia sombra para os trabalhadores.


Rute humildemente colhendo cevada atrás dos trabalhadores no campo


Rute estava disposta a trabalhar arduamente num serviço humilde para sustentar a si mesma e a Noemi
26, 27. Que tipo de pessoa era Boaz, e como ele tratou Rute?
26 Rute provavelmente não esperava ser notada, mas foi. Boaz a viu e perguntou ao jovem encarregado quem era ela. Boaz, um notável homem de fé, cumprimentava todos os seus trabalhadores — talvez incluindo os de um dia ou até os estrangeiros. Ele dizia: “Jeová seja convosco.” E eles respondiam da mesma maneira. Esse homem mais velho, de mentalidade espiritual, mostrou um interesse paternal em Rute. — Rute 2:4-7.

27 Chamando Rute de “filha”, Boaz a aconselhou a continuar respigando em seus campos e a permanecer perto das moças de sua casa para que nenhum trabalhador a importunasse. Boaz se certificou de que ela tivesse o que comer na hora do almoço. (Leia Rute 2:8, 9, 14.Mas acima de tudo ele a elogiou e encorajou. Como?

28, 29. (a) Qual era a reputação de Rute? (b) Assim como Rute, como você pode se refugiar em Jeová?
28 Quando Rute perguntou a Boaz o que ela, uma estrangeira, havia feito para merecer aquele gesto de bondade, ele respondeu que tinha ouvido falar de tudo o que ela havia feito por sua sogra. É provável que Noemi tenha falado bem de sua querida nora para as mulheres de Belém e que isso tenha chegado aos ouvidos de Boaz. Ele também sabia que Rute tinha aceitado a adoração de Jeová, pois disse: “Jeová recompense teu modo de agir e haja para ti um salário perfeito da parte de Jeová, o Deus de Israel, debaixo de cujas asas vieste refugiar-te.” — Rute 2:12.
29 Como essas palavras devem ter encorajado Rute! Ela realmente tinha decidido se refugiar debaixo das asas de Jeová Deus, como um passarinho se aconchega no ninho sob a proteção de sua mãe. Rute agradeceu a Boaz por suas palavras tranquilizadoras. Daí, continuou trabalhando até anoitecer. — Rute 2:13, 17.
30, 31. O que o exemplo de Rute nos ensina sobre hábitos de trabalho, gratidão e amor leal?
30 A fé demonstrada por Rute é um excelente exemplo para todos os que lutam pelo sustento nesta época de dificuldades econômicas. Ela não se achava no direito de exigir nada dos outros e, por isso, era grata por tudo que faziam por ela. Não sentia vergonha de trabalhar arduamente por várias horas para cuidar de quem amava, mesmo que fosse num serviço humilde. Com apreço, aceitou e aplicou conselhos sábios sobre como trabalhar com segurança e em boa companhia. O mais importante é que nunca perdeu de vista onde estava seu verdadeiro refúgio — sob a proteção de seu Pai, Jeová Deus.
31 Se mostrarmos amor leal como Rute e seguirmos seu exemplo de humildade, diligência e gratidão, nossa fé também será um bom exemplo para outros. Mas como Jeová cuidou de Rute e Noemi? Isso será considerado no próximo capítulo.





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