xmlns:b='http://www.google.com/2005/gml/b'xmlns:data='http://www.google.com/2005/gml/data' xmlns:expr='http://www.google.com/2005/gml/expr'> Vida Cristã: Jesus
Mostrando postagens com marcador Jesus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jesus. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Mandamento e Mandamento.





Mandamento e Mandamento. Porque é mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. Isaías 28:10 .

- Os legalistas só conseguem ver a graça de Deus no 1° Pacto. Com isto eles fortalecem a oposição rebelde. Jesus está “gritando”. Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras? João 5:46,47 . --- Sê Deus teve misericórdia com Israel, tem também com o resto da humanidade na pessoa de Cristo. Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito. João 12:49,50 . Deus muda? Não, Deus não muda. Mas suas leis atendem Seu propósito.

No tempo dos patriarcas era permitido casar-se pessoa da mesma família. No tempo de Moisés Deus fez leis para atender e tirar da escravidão Israel a nação que daria testemunho do Seu poder sobre a rebelião. Não havia batismo nas águas nestas leis. E foi chamado de 1° Pacto. No tempo e na liderança de Cristo, estabeleceu-se o 2° Pacto. Então disse: Eis aqui venho, para fazer, o Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Hebreus 10:9 . --- O que foi chamado de reforma. Consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da reforma. Hebreus 9:10 . Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, Sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa. Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou.

Hebreus 3:1-3 . E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Mateus 28:18-20 . Você foi batizado no nome de Jesus? Amém. A tua fé é pessoal. Não se deixe levar. Você já deu o testemunho pessoal de aceitação. Agora busque a verdade. Não se conforme com palavras de homens. Só Ele batiza no Espírito. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo. Marcos 1:8 . E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. João 8:32 . Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Gálatas 6:2 . E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê. Atos 13:39. Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, que lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos. Malaquias 4:4 .

--- As leis de Moisés era do 1° Pacto. As leis de Jesus Cristo é do 2° Pacto.
No 2° Pacto não existe a lei do dízimo para os cristãos como querem os mercenários. E digo que: Este é o motivo de existir tantas religiões. Neste quesito, todas são legalistas. Constrangem as viúvas e pobres com velhos argumentos. Perderam totalmente o propósito de tais leis. Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar (parte da lei), que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído. Gálatas 5:1,4. Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Cristo abolido; 2 Coríntios 3:14 .

 --- Não há mais uma nação que represente Deus na terra. Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 1 Pedro 2:9. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. Gálatas 3:27,28 . Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. Hebreus 7:12. --- De que tribo é nosso único sacerdote? Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar, Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio. Hebreus 7:13,14 .

Este é do 2° Pacto. O 1° Pacto os vários sacerdotes eram da tribo dos Levitas. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão. Hebreus 7:5 . --- A Lei é de Cristo. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Romanos 8:2 .

--- As Leis de Moisés foram superadas por Cristo. Em outras palavras foram ampliadas e tornadas impossíveis de por nós mesmo guardá-las. Na Leis de Cristo odiar já é pecado, pensamento impuro contra uma mulher já é pecado, tirar proveito da esperteza em negócios já é roubo. O Descanso é da alma. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Mateus 11:27-29 .

Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. João 6:44 . E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Tiago 1:5 . --- Prezados irmãos. Quando se fala em Lei e mandamento, aprendamos a ir para Cristo. Estando nele, vivemos a lei do Espírito na semana toda. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Romanos 14:5 . Participe. Não pregamos religião. Jesus Cristo é nosso foco.

bY: Marco Arrifano

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Como ter certeza da sua salvação?




Jesus me Salvou

Como ter certeza da sua salvação?
Escrito por GodLife
Séries: Buscando a Jesus

Se você já teve dúvidas em relação decisão de seguir a Cristo, saiba que você não está sozinho. Como ter certeza da sua salvação? Como cristãos podem confiar que se manterão firmes no relacionamento com Jesus?
O que eu preciso fazer para ser salvo?
Primeiro: Veja o que Deus fala sobre o que você precisa fazer para ser salvo. A Bíblia fala que a salvação é simples. “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (Atos 16:31). Salvação começa com “arrependimento” dos pecados e dependência apenas de Jesus e de mais ninguém. Quando pessoas perguntaram a Jesus qual o tipo de obra que agradava a Deus, Ele disse: “ A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (João 6:29).
Segundo: O que Deus prometeu? “E esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna” (1 João 2:25). “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”(Efésios 2:8-9)

O que a Bíblia nos diz sobre ser salvo:
  • Jesus é o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas (João 10:11). Ninguém poderá arrebatá-las de suas mãos (João 10:28-29).
  • Aqueles que vêm a Ele, de modo nenhum será lançado fora. (João 6:37)
  • Porque Deus sabe todas as coisas desde o começo dos tempos, Ele lhe aceita como você é. Deus não revoga dons e vocações. (Romanos 11:29)
  • Filhos de Deus estão selados com o Espírito Santo que habita seus corações. Deus lhe vê como filho, e você o vê como Pai. (2 Coríntios 1:22, Efésios 1:13, 4:30, Romanos 8:15)
  • Você está coberto pela graça de Deus, não por causa do seu trabalho, mas pela graça de Deus. “Que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo”.(1Pedro 1:5)
  • “Deus é poderoso para lhe guardar de tropeços e para apresentar com exultação, imaculados diante de sua glória”. (Judas 24)
Quando olho para Jesus, o poder de Deus e suas promessas me dão certeza da minha salvação.
Sentimentos vêm e vão. Nossos erros às vezes nos fazem pensar se realmente somos salvos. Jesus é fiel, mesmo quando nós falhamos em nossa fidelidade. Deus sabe das nossas fraquezas e gentilmente nos lembra de olharmos para Jesus. Se você apenas acreditar em Jesus, na vida dele sem pecados, sua morte por você, sua ressureisão e suas promessas, tenha certeza você terá a vida eterna. (1 João 5:13).

Quem é o Espírito Santo?


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Quem é a Pedra de Mateus 16:18?


Quem é a Pedra de Mateus 16:18?



Vamos analisar o texto de Mateus 16:15-19:


"15 Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? 16 Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17 Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. 18 Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; 19 dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus." Estas palavras foram pronunciadas por Jesus quando Ele e os discípulos estavam caminhando para Cesaréia de Filipe, logo após a Sua pergunta: "Quem diz o povo ser o Filho do homem?" Mat. 16:13.

Após várias respostas, Pedro falou:"Tu és o Cristo, e Filho do Deus vivo." Mat.16:16.
Após esta afirmação de Pedro, se seguiram as célebres palavras de Mat. 16:18:
"Tu és Pedro (em grego pétros) e sobre esta pedra (pétra)...".
Várias interpretações tem sido dadas a esta declaração, das quais três se destacam:
- A Pedra sobre a qual se construiria a Igreja de Deus é o próprio Cristo;
- A pedra é Pedro; - A pedra é a confissão que Pedro fizera de Cristo.

Qual seria a interpretação correta?
Quanto ao processo de interpretação de textos difíceis, duas regras básicas têm sido adaptadas pelos estudiosos sérios da Bíblia, cf. ref [1], p. 155 e 156. Eu destaco duas: "Se há passagens obscuras, estas se explicam pelas que são mais claras, de tal sorte que a Escritura se explica pela própria Escritura." Irineu. Orígenes apresenta mais ou menos a mesma ideia ao dizer que o texto deve ser interpretado através do conjunto das Escrituras e nunca através de textos isolados. 

PRIMEIRA INTERPRETAÇÃO: A PEDRA É CRISTO.
"Teólogos protestantes sempre foram ardorosos defensores da Igreja construída sobre Cristo. Jerônimo, Agostinho e Ambrósio aplicam a pedra tanto a Pedro como a Cristo. Eis as palavras que aparecem no fim do Evangelho de Mateus, tradução da Bíblia do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, edição de 1857, de Lisboa, pág. 95:

"Santo Agostinho no tratado CXXIV sobre S. João entende por esta pedra não a Pedro, mas a Cristo, em quanto confessado Deus por Pedro, como se Cristo dissera: Tu és Pedro, denominado assim da pedra, que confessaste, que sou eu, sobre a qual edificarei a minha igreja’. Estas palavras do maior teólogo católico romano por serem muito claras dispensam comentários. "É do nosso conhecimento que o termo ‘pedra ou rocha’ foi usado no Velho Testamento para Deus. Salmo 18:2 – O Senhor é a minha rocha; Deut. 332:4 – Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas. "O Messias é descrito em Isaías 28:16 como ‘uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada’." – Explicação de textos difíceis da Bíblia, (ref. [1]) p. 155 e 156.



Coloco aqui outras referências bíblicas que demonstram que: JESUS foi a Pedra rejeitada pelos judeus:

  - Isaías 8:14: "Então Ele... Pedra de tropeço, e de Rocha de escândalo..."

         - Mat. 21:42: "...A Pedra... rejeitaram, essa foi posta por cabeça de ângulo..."
- Atos 4:11: "Ele é a Pedra ... rejeitada ... posta por cabeça de esquina..."
    - Rom. 9:33: "...Sião uma Pedra de tropeço, e uma Rocha de escândalo..."

(Explicando: Os judeus achavam um escândalo o Messias morrer na cruz, já que O esperavam para sentar-Se no trono de Davi).
E o mais importante: o Efésios 2:20; 11:22; 5:23: "...Jesus Cristo é a principal Pedra de esquina... cabeça da igreja".


Em toda a Bíblia, a Pedra é identificado indubitavelmente a JESUS CRISTO, a Rocha Eterna:

             - Números 20:11: "...Moisés levantou a mão, e feriu a Rocha duas vezes..."
               - I Coríntios 10:4: "E beberam... da Pedra espiritual... e a Pedra era Cristo."
- Deut. 32:4: "Ele [Jesus] é a Rocha, cuja obra é perfeita..."
- Salmo 18:2: "O Senhor é a minha Rocha..."
- Salmo 19:14: "...Senhor, Rocha minha e libertador meu!"
- Salmo 28:1: "A Ti clamarei, é Senhor, Rocha minha..."
- Salmo 89:26: "...a Rocha da minha salvação."
- Salmo 95:1: "...a Rocha da nossa salvação."
- Salmo 144:1: "Bendito seja o Senhor, minha Rocha..."

E o próprio Pedro confirmou que a Pedra é Cristo:
- I Pedro 2:4: "...E chegando-vos para Ele [Jesus] – Pedra viva..."
- I Pedro 2:6-8: "Por isso, na Escritura se diz: Eis que ponho em Sião uma principal pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é a preciosidade; mas para os descrentes, a pedra que os edificadores rejeitaram, esta foi posta como a principal da esquina, e: Como uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; porque tropeçam na palavra, sendo desobedientes..."

Paulo define a questão com estas palavras incisivas:
- I Coríntios 3:11: "Porque ninguém pode por outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo."
Jesus Cristo mesmo interpretou ser Ele a "Pedra Angular" de qual falava o Velho Testamento: - Mat. 21:42-44: "Disse-lhes Jesus:

Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó." 

SEGUNDA INTERPRETAÇÃO: A PEDRA É PEDRO

"Esta tese é sustentada pela maioria dos comentadores católicos. "Vincent, comentando Mateus 16:18 defende a ideia de que a Igreja foi construída sobre Pedro, desde que Cristo nesta passagem aparece não como a fundação, mas como o arquitecto.
"Outros apresentam o seguinte argumento: a conjunção coordenativa ‘e’ , em grego ‘kai’ liga orações que têm o mesmo valor, por isso se Cristo visasse estabelecer um contraste entre Ele e Pedro teria empregado a conjunção ‘allá’ = mas. Este argumento não é seguro porque ‘kai’ tem em grego também o significado de ‘mas’. Ver Arndt and Gingrich, página 393 e Robertson, página 1181.


"A igreja católica se baseia num texto isolado sem levar em consideração o consenso de todo o ensino bíblico
a respeito, isto é, sem considerar os dois princípios hermenêuticos (de Irineu e Orígenes) já citados anteriormente.
"Analisando vários textos das Escrituras chega-se à conclusão indiscutível de que a Bíblia ensina que Cristo é a Pedra e não Pedro.
"O próprio Pedro, através de suas enfáticas declarações, se encarregou de dirimir todas as dúvidas neste sentido. I Pedro 2:4-8...

"Provas bíblicas de que Pedro não foi escolhido como líder da Igreja, ou Superior Hierárquico dos Apóstolos:
a. Mateus 23:8 e 10 nos ensina que Cristo não queria que nenhum deles fosse mestre ou guia, porque esta é uma prerrogativa divina.
b. Lucas nos relata (9:46; 22:24-30), que por duas vezes se levantou entre os discípulos o problema de quem entre eles tinha a primazia. Tal problema jamais se levantaria se Cristo tivesse estabelecido a Pedro como superior a eles.
c. Se Cristo tivesse indicado a Pedro como líder da Igreja, como o Papa, ele seria infalível em suas decisões, portanto jamais lhe aconteceria o que Lucas nos relata no seu evangelho capítulo 22:54-60 [a negação de Pedro].
d. Sendo Pedro o dirigente, seria a pessoa que enviaria outros, mas Lucas nos informa em Actos 8:14 que Pedro e João foram enviados pelos apóstolos.
e. Se fosse o superior hierárquico dos apóstolos, a argumentação que eles fizeram e a defesa de Pedro seriam inoportunas e sem fundamento, conforme o relato de Actos 11:1-18 [a pregação do evangelho aos não-judeus].
f. O primeiro concílio da igreja não foi convocado e dirigido por Pedro, mas por Tiago. O contexto apresentado pelo Dr. Lucas (Actos 15:13, 19) sugere que Tiago era o presidente.
g. Em Actos 15:22-29 há o relato de que a epístola enviada a Antioquia foi dirigida em nome dos apóstolos, dos presbíteros, e da igreja e não por Pedro.
h. Se Pedro fosse o líder, Paulo não poderia escrever o que se encontra em Gálatas 2:11-14, pois seria faltar à ética hierárquica. [11: Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe na cara, porque era repreensível.] A afirmação no verso 11 é bastante taxativa para desmoronar todo o falso edifício que o papado tem construído na base de Mateus 16:18 sobre o primado de Pedro.
i. I Coríntios 12:28. Se Pedro fosse o Papa, na enumeração dos ofícios da Igreja, Paulo não se esqueceria deste tão preeminente – o Vigário de Cristo [28 E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.]
j. Paulo afirma em Gálatas 2:9 que Tiago, Cefas (Pedro) e João eram considerados como colunas. Note-se que Tiago está em primeiro lugar." – [1], p. 158 a 161.

Outras referências bíblicas que indicam que Pedro não tinha a primazia da Igreja Apostólica
, como arroladas por Lourenço Gonzalez, ref. [2], p. 59: Se Pedro fosse o Papa: Os discípulos não disputariam pela primeira posição entre si (Mat. 23:8,10; Luc. 9:46; 22:24-30); Não seria o apóstolo da circuncisão [Ele achava que o Evangelho não deveria ser pregado aos não-judeus/incircuncisos) (Gál. 2:8); 
Como ficaria o seu casamento? (Mat. 8:14; Mar. 1:30; Luc. 4:38); Não levaria a sua esposa nas suas viagens missionárias (I Cor. 9:5); Não negaria a Jesus (Luc. 22:57), não mentiria ao ser identificado como apóstolo (Luc. 22:58),  nem disfarçaria diante da verdade (Luc. 22:60); Enviaria outros apóstolos para Samaria em vez de ser enviado (Actos 8:14); Não se justificaria perante a igreja, por ter baptizado Cornélio (Actos 11:1-11);

O primeiro Concílio Cristão, ocorrido em 52 d.C., seria presidido por ele e não por Tiago (Atos 15:13,19) e a Carta Oficial deste Concílio seria assinada por ele e não foi (Atos 15:22,23); Paulo não o repreenderia publicamente se fosse ‘infalível’ (Gál. 2:11-14); Estaria na primeira posição e não na segunda, como coluna da igreja (Gál. 2:9);


Por fim... Uma passagem que se destaca pelo que ela não mostra, Apocalipse 21:14: "O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro." Ao descrever a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, João cita que viu escritos o seu nome e dos seus companheiros apóstolos nos fundamentos da cidade. Não há, porém, destaque de nenhum nome em especial, o que certamente ocorreria se um deles tivesse sido escolhido como fundamento da igreja.


TERCEIRA INTERPRETAÇÃO: A PEDRA SERIA A CONFISSÃO DE PEDRO
"Crisóstomo (350-407 AD) afirmou que a igreja foi construída sobre a confissão de Pedro. Outros Pais da Igreja e reformadores como Lutero, Huss, Zwínglio e Melanchton defendem a mesma ideia.

"Os fatos parecem indicar que esta não é a melhor interpretação, desde que a Igreja não é construída sobre confissões, mas sobre os que fazem a confissão, isto é, sobre seres vivos: Cristo, os Apóstolos e os que aceitam a Cristo como Seu Salvador. As passagens de Efésios 2:20 e I Pedro 2:4-8 confirmam as declarações anteriores." [1], p. 163. 

Petros E Petra : "Dicionário e Comentários nos comprovam que Pedro, em grego ‘Pétros’ dignifica um fragmento de pedra, pedra movediça, lasca da rocha; enquanto pedra, no grego ‘Pétra’ significa rocha, massa sólida de pedra. "Alguns comentaristas asseveram que o Espírito Santo orientou o apóstolo, ao redigir esta passagem para empregar duas palavras, em grego, para evitar a idéia de que Pedro fosse a pedra.

"Desta sucinta explicação se conclui que Pétros não é um símbolo apropriado para um fundamento, um edifício, mas que Pétra – rocha é um símbolo muito próprio para o fundamento estável e permanente da Igreja.
"Na Ilíada, VII, 270, Ajax está atirando uma pedra (pétros) em Heitor, mas na Odisséia, IX, 243, há o relato de uma pedra (pétra) colocada na porta de uma caverna, inamovível pelo seu tamanho descomunal." [1], p. 158.

Fonte (artigo original): Blog Religiões Cristãs 


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A Coroa de Espinhos





A Coroa de Espinhos




“E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus” (Mateus 27:29).
Antes que entremos ao quartel dos soldados e contemplemos com atenção “a sagrada cabeça uma vez ferida”, será conveniente considerar quem e o que era a pessoa que foi cruelmente submetida assim à vergonha. Não esqueçam a excelência intrínseca de Sua pessoa, pois Ele é o esplendor da glória do Pai, e a imagem expressa de Sua pessoa. Ele é em Si mesmo Deus sobre todas as coisas, bendito pelos séculos, a Palavra eterna pela qual todas as coisas foram feitas, e todas as coisas Nele subsistem. Ainda que era Herdeiro de todas as coisas, e Príncipe dos reis da terra, foi desprezado e rejeitado entre os homens, “varão de dores, experimentado no quebranto;” Sua cabeça foi coroada com uma coroa de espinhos por zombaria. Seu corpo foi ataviado com um manto de púrpura desbotada. Uma pobre cana foi colocada em Sua mão como cetro, e logo a soldadesca impudica se atreveu a olhar-lo na cara e afligir-lhe com suas sujas zombarias:

“Os soldados também cuspiram sobre esse rosto
Que os anjos junto aos profetas
Anelavam ver por graça, porem não se lhes concedeu.
Houve alguma vez dor igual a Minha?”
Não esqueçam a glória à que estava acostumado em outro tempo, pois antes que viera à terra, Ele estava assentado no seio do Pai, sendo adorado por querubins e serafins, obedecido por todos os anjos, reverenciado por todo principado e potestade nos lugares celestiais – no entanto, aqui está sentado, sendo tratado pior que um criminoso, convertido no centro de uma comédia antes de volver-se na vítima da tragédia. O sentaram sobre alguma cadeira quebrada, o cobriram com um velho manto de soldado, e logo o insultaram como se fosse um monarca de mentira:
“Eles dobraram seus joelhos diante de Mim, e clamaram: Salve rei;
Tudo o que as piadas e o escárnio podem imaginar
Eu sou o chão, a pia, o lixo
Houve alguma vez dor igual a Minha?”
Seu amor por nós O impulsionou a aceitar um terrível abatimento! Olhem que baixo Ele caiu para nos levantar de nossa queda! Não se esqueçam que no preciso momento em que estavam se burlando Dele, dessa maneira, Ele era o Senhor de tudo, e podia convocar doze legiões de anjos para que viessem em Seu resgate. Havia majestade em Seu abatimento; Ele tinha abandonado, é certo, a gloriosa pompa imperial dos átrios de Seu Pai, e agora era o homem humilde de Nazaré, porem, apesar disso, se o tivesse desejado, um olhar desses olhos teriam fulminado à soldadesca romana; uma palavra desses lábios silenciosos teriam estremecido o palácio de Pilatos desde o texto até aos fundamentos; se houvera desejado, o irresoluto governador e a maligna multidão teriam sido conjuntamente lançados vivos ao abismo, igual que Coré, Datã e Abirão em tempos antigos. Eis aqui, o próprio Filho de Deus, o muito amado do céu e o príncipe da terra, sentado ai, coroado com a cruel coroa que fere Sua mente e Seu corpo, a mente pelo insulto, e o corpo pela dor afiada e penetrante. Seu rosto de rei foi desfigurado por “feridas que não cessam de sangrar, que gotejam fracas e lentamente”, no entanto, essa “fronte muito nobre e amada” foi uma vez a mais formosa dos filhos dos homens, e ainda nessas circunstâncias, era o rosto de Emanuel, Deus conosco.
Recordem essas coisas e verão a Cristo atentamente com olhos iluminados e ternos corações, e serão capazes de entrar mais plenamente em comunhão com Ele em Suas aflições. Recordem desde onde veio, e lhes assombrará em maior grau que tenha descendido tão baixo. Recordem o que era e mais lhes surpreenderá que se tenha convertido em nosso Substituto.
E agora, abramos passo até a guarita dos guardas, e contemplemos a nosso Salvador com a cora de espinhos posta. Não nos deteremos muito nas especulações sobre o tipo de espinhos que lhe puseram. De conformidade aos rabinos e aos especialistas em botânica, existiam umas vinte ou vinte e cinco espécies diferentes de arbustos espinhosos que cresciam na Palestina. E diferentes escritores selecionaram, quer seja uns e outros desses arbustos, de acordo seus próprios juízos ou preferências, como os espinhos peculiares que foram usados nessa ocasião. Porem, por quê eleger um espinho entre muitas? Ele não suportou só uma dor, mas sim todas: e cada espinho seria suficiente; a própria incerteza quanto à espécie peculiar nos proporciona uma instrução. Muito bem poderia ser que mais de uma variedade de espinhos tenha sido tecida nessa coroa: seja como for, o pecado espargiu tão proficuamente espinhos e cardos na terra, que não houve nenhuma dificuldade para encontrar os materiais, como tampouco houve escassez de aflições para castigá-lo cada manhã e fazer que sentisse dor todos Seus dias.
Os soldados poderiam ter usado ramos flexíveis da árvore de acácia, essa madeira que não apodrece, da qual se tomaram para fazer muitas das sagradas tábuas e utensílios do santuário; e, portanto, teriam sido utilizados de maneira significativa se esse fora o caso. Poderia ser certo, como os antigos escritores geralmente o consideravam, que a planta usada foi a conhecida como spina Christi[1], pois conta com muitas espinhas agudas e pequenas, e com usas verdes folhas se poderia tecer uma grinalda, como as que utilizavam para coroar aos generais e aos imperadores depois de uma batalha. Porem, vamos deixar esse assunto; foi uma coroa de espinhos que transpassou Sua fronte, e lhe causou sofrimentos e vergonha, e isso nos basta. Nossa pergunta agora é: o que vemos quando nossos olhos contemplam a Jesus Cristo coroado de espinhos? Existem seis elementos que me impressionam notávelmente, e ao levantar a cortina, os rogo que prestem muita atenção, e peço que o Espírito Santo derrame Sua iluminação divina e clareie a cena diante de nossas almas maravilhadas.
I. O primeiro que o observador mais distraído pode ver, antes de escavar debaixo da superfície, é UM ESPETÁCULO DOLOROSO. Aqui está o Cristo, o Cristo terno, amante, generoso, sendo tratado com indignidade e escárnio; aqui está o Príncipe da Vida e da Glória, convertido em objeto de escárnio pela soldadesca atrevida. Contemplem hoje ao lírio entre os espinhos, a pureza brotando em meio do pecado que se lhe opõe. Vejam ao sacrifício enroscado na espessura, e sujeitado com firmeza ai, como uma vítima em nosso lugar para cumprir o antigo tipo do carneiro preso em um arbusto, que Abraão sacrifício em lugar de Isaque. Três coisas devem ser analisadas cuidadosamente nesse espetáculo de dor.
Aqui observamos a mansidão e a debilidade de Cristo submetidas pelos alegres legionários. Quando trouxeram a Cristo ao quarto da guarda, eles sentiam que o encontrava inteiramente em seu poder, e que Suas pretensões de ser um rei eram tão absurdas, que só poderiam ser um tema de desprezada zombaria. Estava pobremente vestido, pois somente levava a túnica de um campesino, era por acaso então um pretendente para vestir a púrpura? Guardava silêncio, e era o homem que fora incitar à nação a sedição? Estava todo cheio de feridas e hematomas, e acabava de sofrer o látego do verdugo, era então o herói que inspiraria o entusiasmo de um exército para derrocar à velha Roma? Parecia uma estranha diversão para eles, e como as bestas selvagens jogam com suas vítimas, assim eles jogavam com Ele. Garanto-lhes que eram muitas as piadas e os desprezos da tropa romana por suas costas, e forte era o riso em meio de suas fileiras. Olhem Seu rosto, que manso se mostra! Que diferente dos rostos altivos dos tiranos! Burlar-se de Seus direitos reais não era senão algo natural para a rude tropa. Ele era tão dócil como um bebê, tão terno como uma mulher; Sua dignidade era de uma resistência calma e tranquila, e certamente não era uma dignidade cuja força poderiam sentir esses semibárbaros homens, portanto o enevoavam com desprezos.
Recordemos que a debilidade de nosso Senhor foi assumida por nossa causa: por nós se converteu em cordeiro, por nós deixo de lado Sua glória, e, portanto, é mais doloroso quando vemos que essa humilhação voluntária, assumida em Si mesmo, foi o objeto de tanta gozação e escárnio, ainda que dignas de mais alto preço. Ele se humilha para nos salvar, e nós rimos conforme se rebaixa; Ele deixa o trono para poder elevar-nos a esse trono, porem, enquanto Ele está graciosamente condescendendo, o riso grosseiro de um mundo ímpio é Sua única recompensa. Que coisa tão terrível! Por acaso foi o amor tratado de uma forma tão pouco amável? Certamente a crueldade que recebeu foi proporcional à honra que merecia, tão perversos são os filhos dos homens.

“Oh, cabeça tão cheia de golpes!
Fronte que perde o sangue vital!
Oh grandiosa humildade.
Sobre Seu rosto caem
As mais amargas indignidades;
Ele suporta tudo isso por mim.”
Não era simplesmente que se burlavam de Sua humildade, mas sim que zombavam de Seus direitos de ser um rei. “Ah ah!” pareciam dizer, “é esse um rei? Deve se tratar de alguma rústica tradição judia, em verdade, que esse pobre carpinteiro reclame o direito de usar uma coroa. Por acaso esse é o Filho de Davi? Quando baterá em retirada à César e seus exércitos até o mar, e estabelecerá um novo estado, e reinará em Roma? Esse judeu, esse campesino, acaso irá cumprir o sonho de Sua nação, e governará sobre toda a humanidade?” Ridicularizavam essa ideia às mil maravilhas, e não nos surpreende que o fizeram, pois não podiam perceber Sua verdadeira glória.
Porem, amados, meu ponto jaz aqui, Ele era um rei no sentido mais verdadeiro e enfático. Se não tivesse sido um rei, então, como um impostor, teria merecido o escárnio, porem não haveria sentido tão profundamente; porem, sendo de verdade e realmente um rei, cada palavra deve ter atormentado Sua alma regia, e cada sílaba deve ter ferido profundamente seu espírito real. Quando os pretendidos direitos de um importar ficam expostos e são entregues ao escárnio, essa mesma pessoa sabe muito bem que merece todo o desprezo que recebe, e que pode dizer? Porem, se o herdeiro verdadeiro de todas as propriedades do céu e da terra tem Seus direitos denegados e Sua pessoa escarnecida, então Seu coração fica ferido, e a repreensão e a reprovação o enchem de aflição. Deveras não é triste que o Filho de Deus, o bendito e único Potentado, tenha sido desonrado dessa forma?
E não se tratou de piadas, simplesmente, mas sim que a crueldade acrescentou dor ao insulto. Se somente tivessem tido a intenção de burlar-se Dele, poderiam ter tecido uma coroa de palha, porem, eles se propuseram em infligir-lhe dor, portanto, teceram uma coroa de espinhos. Contemplem, lhes rogo, a Sua pessoa, ao tempo que sofre nas mãos deles. O haviam acoitado até o ponto de provavelmente não havia nenhuma parte de Seu corpo que não sangrasse sob os golpes, exceto Sua cabeça, e agora deviam também fazer essa cabeça sofrer. Ai, toda nossa cabeça estava enferma, e todo nosso coração desfalecente, e assim Ele deve ser feito em Seu castigo semelhante a nós em nossa transgressão. Não havia nem uma só parte de nossa humanidade sem pecado, e não devia ter nenhuma parte de Sua humanidade sem sofrimento. Se tivéssemos escapado em alguma medida de iniquidade, Ele teria podido de escapar da dor nessa mesma medida, porem como levávamos o vestido sujo da transgressão, e ele nos cobria por completo da cabeça aos pés, ele também deveria levar as vestes da vergonha e da burla desde o alto da Sua cabeça à planta de Seus pés.
Oh amor, tão ilimitado para ser exibido
Por ninguém, exceto unicamente pelo Senhor!
Oh amor ofendido, que suporta
As dores e a descarada maldição do ofensor!
Oh amor, que não poderia ter outro motivo,
Que a pura benignidade de salvar.”
Amados, sempre sinto como se minha língua estivesse amarrada, quando me coloco a falar dos sofrimentos de meu Senhor. Posso pensar neles, posso imaginá-los para mim, posso sentar-me e colocar-me a chorar por eles, porem não sei como retratá-los para os demais. Por acaso conheceram alguma pluma ou lápis que poderia pintá-los? Inclusive um Michelangelo ou um Rafael poderia muito bem retrair-se ao intento de pintar esse quadro; e a língua de um arcanjo poderia consumir-se no esforço de cantar as aflições Daquele que foi carregado com a vergonha de nossas transgressões vergonhosas. Os peço que, mais que escutar, meditem, e que se sentem e vejam a seu Senhor com seus próprios olhos amantes, em vez de considerar minhas palavras. Eu só posso bosquejar o quadro, delineando toscamente ao carvão; devo deixar que vocês ponham as cores, e que logo se sentem e o estudem, porem, fracassarão como eu fracasso. Poderemos mergulhar, mas não poderemos alcançar as profundezas desse abismo de dor e de vergonha. Poderemos voltar atrás, porem esses montes acoitados pelas tormentas estão, todavia, por cima de nós.
II. Decorrendo outra vez a cortina desse espetáculo vergonhoso, vejo aqui uma ADVERTÊNCIA SOLENE que nos fala suavemente e nos comove desde esse espetáculo de dor. Perguntar-me-ão qual é essa advertência. É uma advertência para que jamais cometamos o mesmo crime que os soldados cometeram. “Ele mesmo!”, dirá; “vamos, nós jamais teceríamos uma coroa de espinhos para colocá-la nessa amada cabeça.” Elevo minhas orações para que jamais o façam; porem, existem muitas pessoas que o fizeram e o seguem fazendo. Os que negam Seus direitos são culpados desse crime. Os sábios desse mundo estão muito ocupados nesse mesmo momento por todo o universo, muito ocupados em recolher espinhos para enroscá-las e poder torturar ao Ungido do Senhor. Alguns deles afirmam: “sim, Ele foi um bom homem, porem não o Filho de Deus;” outros negam inclusive Sua excelência superlativa na vida e no ensino; colocam reparações a Sua perfeição e imaginam falhas onde não houve nenhuma. Nunca se sentem mais felizes que quando impugnam Seu caráter.
Eu poderia estar me dirigindo a alguns infiéis confessos aqui, a alguns céticos no relativo à pessoa do Salvador e a Sua doutrina, e eu os acuso de coroar de espinhos ao Cristo de Deus cada vez que inventam acusações cruéis contra o Senhor Jesus, e quando expressam insultos contra Sua causa e de Seu povo. Ao negar-lhe Seus direitos e especialmente ao ridicularizá-los, estão repetindo a infeliz cena que temos diante de nós. Há algumas pessoas que usam todo seu gênio, e exercitam sua máxima habilidade, unicamente em descobrir discrepâncias nas narrações do Evangelho, ou invocar diferenças entre seus supostos descobrimentos científicos e as declarações da Palavra de Deus. Frequentemente espetaram suas próprias mãos quando estão tecendo coroas de espinhos para Ele, e eu temo que algum deles terão que deitar-se sobre um leito espinhoso quando cheguem à morte, como resultado da ostentação de sua investigação científica das sarças com as que pretendiam afligir ao Amante da humanidade. Seria muito bom que não tivessem que deitar-se eternamente sobre algo pior que espinhos, quando Cristo venha pra julgá-los, condená-los e lançá-los no lago de fogo por todas suas impiedades concernentes a Ele. Oh, que abandonassem esse ofício malicioso e inútil de tecer coroas de espinhos para Ele, que é a única esperança do mundo, cuja religião é a estrela solitária que dá brilho à meia-noite da aflição humana, e guia o mortal ao porto da paz!
Inclusive pelos benefícios temporais do cristianismo, o bom Jesus deveria ser tratado com respeito; Ele emancipou ao escravo, e libertou o oprimido; Seu Evangelho é a carta magna da liberdade, o açoite dos tiranos e a morte dos sacerdotes. Propaguem-no e estarão propagando a paz, a liberdade, a ordem, o amor e a alegria. Ele é o maior dos filantropos, o verdadeiro amigo do homem, por que então, se colocam em fileira de batalha contra Ele, vocês que falam de progresso e ilustração? Basta com que os homens O conheçam e O coroariam com diademas de reverente amor mais preciosas que as pérolas da Índia, pois Seu reino abrirá as portas da época de ouro, e mesmo agora suaviza o rigor do presente, assim como erradicou as misérias do passado. Não é um bom negócio estar censurando e objetando, e eu os suplico aos que estão envolvidos nele que cessem em seus esforços pouco generosos, indignos de seres racionais e nocivos para suas almas imortais.
Essa coroação de espinhos é efetuada de outra forma por profissões hipócritas de fidelidade a Ele. Esses soldados colocaram uma coroa na cabeça de Cristo, porem não estavam manifestando sua intenção de que fosse rei; eles puseram um cetro em Sua mão, porem não era a valiosa vara de marfim que significava poder real, era só uma cana fina e frágil. Com isso, nos lembram que Cristo é escarnecido por professantes insinceros. Oh, vocês que não lhe amam no profundo de suas almas, vocês sãos que zombam Dele; porem, perguntarão: “em que falhei em coroar-lhe? Por acaso não me uni a igreja? Por acaso não professei que sou um crente?” Oh, porem, se seus corações não são retos dentro de vocês, unicamente lhe coroaram de espinhos; se não lhe entregaram sua própria alma, lançaram um cetro de cana em Sua mãos, em terrível escárnio. Sua própria religião zomba Dele. Suas profissões mentirosas são um escárnio. Quem requereu isso de suas mãos, que pisoteie Seus átrios? Você o insulta em Sua mesa! O insulta quando está de joelho! Como pode dizer que O ama quando seu coração não está com Ele: Se nunca creu Nele, e não se arrependeu de seu pecado, e não aceitou obedecer Seus mandamentos, se não O reconhece como Senhor e Rei em sua vida diária, o exorto a que renuncie à profissão que é tão desonrosa para Ele. Se é Deus, sirva-lhe; se é Rei, obedece-lhe; senão é nada disso, então não professe ser cristão. Seja honesto e não traga nenhuma coroa, se não lhe aceita como Rei. Que necessidade há para que o insulte de novo com um domínio nominal, com uma homenagem falsa, e um suposto serviço? Oh, vocês hipócritas, considerem seus caminhos, não seja que logo o Senhor que provocaram se desembarace de Seus adversários.
O mesmo pode fazer, em alguma medida, os que são sinceros, porem que por falta de vigilância caminham de maneira tal que desonram sua profissão. Aqui, se falo corretamente, irei forçar cada um de vocês a confessar em seus espíritos que são condenáveis; pois cada vez que atuamos de acordo com nossa carne pecaminosa, coroamos de espinhos a cabeça do Salvador. Quem de nós não fez isso? Amada cabeça, cujos cabelos, cada um deles, são mais preciosos que o ouro fino, quando te entregamos nossos corações pensamos que sempre te adoraríamos, que nossas vidas inteiras seriam um único salmo entendido, louvando-lhe a bendizendo-lhe e coroando-lhe. Ai, como ficamos longe de nosso próprio ideal! O rodeamos com as sarças de nosso pecado. Sucumbimos a um temperamento irado, de tal forma que falamos inadvertidamente com nossos lábios; fomos mundanos e amamos o que Tu aborreces, ou cedemos a nossas paixões, e nos entregamos a nossos desejos malvados. Nossas vaidades, insensatez, esquecimentos, omissões e ofensas colocaram sobre Sua cabeça uma grinalda de desonra e nos estremecemos ao pensar nisso. Oh, cruéis corações e mãos que maltrataram assim ao Bem-amado, a Quem deveríamos ter tido o cuidado de glorificar diariamente!
Falo para algum rebelde cujo visível pecado desonrou a cruz de Cristo?  Temo que esteja me dirigindo a alguns que uma vez tiveram um nome que é para vida, porem que agora são contados com os mortos em pecado. Certamente se existe uma fagulha de graça em vocês, o que estou dizendo agora tem que ferir-lhes no mais profundo, e atuar como sal sobre uma ferida aberta para fazer que sua alma se doa. Por acaso não lhes zumbi os ouvidos quando os acuso de atos deliberados de inconsistência que teceram uma coroa de espinhos para a cabeça de nosso amado Senhor? Assim é, em verdade, pois vocês abriram suas bocas blasfemas, ensinaram aos adversários a vituperá-lo, afligiram à geração de Seu povo e fizeram a muitos tropeçar. Homens ímpios colocaram as faltas de vocês a porta do inocente Salvador; disseram: “essa é sua religião.” Vocês cultivaram os espinhos, porem Ele teve que sofrê-los. Nós chamamos nossas ofensas de inconsistências, porem os homens mundanos as consideram como o fruto do cristianismo, e condenam a videira por culpa dessas vides amargas. Acusam ao santo Jesus com as culpas de Seus seguidores desviados. Queridos amigos, não há espaço para que nos sintamos citados e prevenidos, cada um de nós? Ao considerá-lo, venhamos ao afligido e amante Penitente, e lavemos Seus amados pés com lágrimas de arrependimento, porque coramos de espinhos Sua cabeça.
Assim, nosso Deus e Senhor coroado de espinhos está diante de nós como um espetáculo doloroso, transmitindo-nos uma solene advertência.
III. Levantando novamente o véu, vemos na pessoa de nosso Senhor, torturado e insultado, uma FIRMEZA TRIUNFANTE. Ele não podia ser vencido, Ele era vitorioso inclusive na hora da vergonha mais profunda –
“Ele com um coração resoluto
Carregou toda a ignorância e vergonha
Em meio da dor mais aguda
Amou de igual modo, sim, amou de igual modo.”
Ele estava suportando naquele momento, em primeiro lugar, as aflições substitutivas que lhe correspondiam porque Ele esteve em nosso lugar, e não as evitou. Nós éramos pecadores, e a recompensa do pecado é dor e morte, portanto, sobre Ele foi o castigo de nossa paz. Ele estava suportando nesse momento o que nós tínhamos que ter suportado, esvaziando a copa que a justiça tinha misturado para nós. Deixou-se para trás? Oh, não. Quando chegou o momento de beber desse fel e desse absinto no jardim, colocou a mistura em Seus lábios, e o golo pareceu cambalear Seu forte espírito por um momento. Sua alma estava muito triste, até a morte. Estava como alguém angustiado em grande medida, abalado de um lado para outro por uma agonia interna. “Pai”, disse, “se possível for, passe de mim esse cálice.” Três vezes pronunciou essa apelação, enquanto cada porção de Sua condição humana era o campo de batalha de legiões de aflições. Sua alma se apressava em sair por cada poro para encontrar respiradouro para seus inchaços, e Seu corpo inteiro estava coberto com suor de sangue. Depois dessa tremenda luta, a força do amor controlou a debilidade da humanidade; colocou esse cálice em Seus lábios e não titubeou, mas sim que sorveu dele até que não restasse nenhum resíduo; e agora a copa de ira está vazia, nenhum vestígio do terrível vinho da ira de Deus pode se achado nela. De um tremendo sorvo de amor, o Senhor bebeu até a última gota, a destruição de todo Seu povo. “Quem é o que condenará? Cristo é o que morreu, mas ainda, o que também ressuscitou,” e “agora, pois nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, os que não andam conforme a carne, mas sim conforme o Espírito.” Certamente, a resistência havia alcançado um ponto muito alto quando foi sujeito a suportar a dolorosa gozação que nosso texto descreve, porem, Ele não se acovardou, nem modificou Seu propósito estabelecido. Ele havia se comprometido, e chegaria até o fim. Observem-no, e vejam ali um milagre de paciente resistência das aflições que teriam mandando ao inferno a todo um mundo, se Ele não houvesse carregado com elas em nosso favor.
Alem da vergonha e do sofrimento devidos pelo pecado, com os que o Pai O quis quebrantar, Ele estava suportando o excesso da malícia do ódio dos homens. Por que os homens tinham que ter concentrado todo seu escárnio e sua crueldade em Sua execução?  Não bastava com que Ele morresse? Gerava prazer a seus corações de ferro atormentar Suas sensibilidades mais ternas? Por que razão essas invenções para aprofundar Sua dor? Se qualquer um de nós houvesse sido escarnecido assim, não o teríamos suportado. Não há nenhum homem ou mulher aqui que teriam podido permanecer calados sob tais indignidades, porem, Jesus estava sentado em onipotência de paciência, em controle de Sua alma de maneira régia. Glorioso modelo de paciência, te adoramos quando vemos como a malícia não pôde vencer Teu amor todo poderoso! A dor que tinha suportado por causa dos açoites o fazia palpitar com extrema angústia, porem não lemos nada sobre lágrimas ou gemidos, muito menos de queixas iradas ou ameaças vingativas. Não busca piedade, nem faz um chamado à redução do castigo. Não pergunta por quê torturam ou por que escarnecem. Intrépida testemunha! Mártir valoroso! Sofrendo terrivelmente, Tu sofres por sua vez com calma. Com tão perfeita estrutura corporal como a Sua, pois Seu corpo havia sido concebido sem pecado, deve ter sido suscetível de torturas que nossos corpos, transtornados pelo pecado, não poderiam sentir. Sua pureza delicada sentia um horror pela zombarias sem pudores que nossos espíritos mais endurecidos não poderiam calcular. No entanto Jesus suportou tudo, como somente o Filho de Deus poderia suportá-lo. Poderiam ter aumentado a carga como tivessem desejado, Ele só haveria agregado maior resistência para suportar tudo, porem jamais teria retrocedido nem se acovardado.
Atrevo-me a sugerir que tal era o quadro de paciência que nosso Senhor exibiu, que comoveu até mesmo alguns membros da tropa romana. Já lhes ocorreu perguntarem-se como Mateus chegou a inteirar-se sobre todo esse escárnio? Mateus não estava lá. Marcos também nos proporciona um relato a respeito, porem não lhe haveriam permitido estar na sala dos guardas. Os guardas pretorianos eram muito orgulhosos e rudes para tolerar a presença de judeu, e muito menos dos discípulos de Jesus no pretório. Posto que ninguém podia estar ali exceto os próprios legionários, é bom fazer-se a perguntas: quem contou essa história? Deve ter sido uma testemunha ocular. Por acaso não poderia ter sido esse mesmo centurião que, no mesmo capítulo, nos informa que disse: “Verdadeiramente esse era o Filho de Deus?” Por acaso essa cena, conjuntamente com a morte do Senhor, não poderiam ter-lhe levado a essa conclusão? Não o sabemos, porem isso sim é evidente, que a história deve ter sido contata por uma testemunha ocular, e também por alguém que simpatizava com o Cristo que sofria, pois a meu ouvido não parece o relato de um espectador indiferente. Não me surpreenderia (e quase me atreveria a afirmar isso), que o rosto desfigurado porem paciente de nosso Senhor pregou um sermão que ao menos um dos que o viu, sentiu seu misterioso poder, sentiu que tal paciência era mais que humana, e aceitou a partir desse momento ao Salvador coroado de espinhos como Seu Senhor e seu Rei. Isso sim sei em verdade, que se você e eu queremos conquistar corações de homens para Jesus, devemos também sermos pacientes; e sim, quando nos ridicularizam e nos perseguem, podermos suportá-lo sem queixas nem represálias, exerceremos uma influência que ainda os que são mais brutais sentirão, influência que submetera as mentes escolhidas.
IV. Levantando o véu novamente, penso que temos diante de nós, em quarto lugar, na pessoa do triunfante Sofredor, uma SAGRADA MEDICINA. Eu só posso sugerir as enfermidades que curará. Esses espinhos salpicados com sangue são plantas de renome, preciosas na cirurgia celestial, se são usadas corretamente. Basta que tomem um só espinho dessa coroa e que a usem como um bisturi, e fará brotar o sangue quente da paixão e abaterá a febre do orgulho; é um remédio maravilhoso para os inchaços” da carne e das dolorosas chagas do pecado. Quem vê a Jesus coroado de espinhos detestará olhar-se a si mesmo, exceto se é através das lágrimas da contrição. Esse espinho no peito fará que os homens cantem, porem não com notas de congratulação egoísta, mas sim com notas que serão as de uma pomba que geme por seu amado.
Gideão ensinou aos homens de Sucot com espinhos (Juízes 8: 7,17), porem as lições não foram tão saudáveis como as lições que aprendemos do espinho de Jesus. A sagrada medicina que o bom Médico nos trás em sua grinalda de espinhos atua como um tônico, e nos revigora para suportam sem pressão alguma qualquer vergonha ou perda que Seu serviço nos possa acarretar –
“Quem derrota a meus ferozes inimigos?
Quem consola minhas mais tristes aflições?
Quem revive meus desfalecente coração,
Sarando toda sua dor escondida?
Jesus coroado de espinhos.”
Quando começam a servir a Deus, e por Sua causa procuram beneficiar a seus semelhantes mortais, não esperem nenhuma recompensa dos homens, exceto serem mal compreendidos, converter-se suspeito, e ser vituperado. Os melhores homens do mundo são aqueles de quem pior se fala. Um mundo depravado não pode falar bem de vidas santas. A fruta mais doce é a mais picada pelos pássaros, a montanha mais próxima ao céu é a mais golpeada pelas tormentas, e o caráter mais amável é o mais assediado. Aqueles aos quais quer salvar não o agradecerão por sua ansiedade, mas sim o culparão por sua interferência. Se censuram os pecados deles, com frequência ressentirão de suas advertências; se o convidam a Jesus, tomarão sem cuidado seus rogos. Você está preparado para isso? Se não o está, considere Àquele que suportou tal oposição dos pecadores para que sua mente não se canse ou desfaleça. Se tiver êxito em trazer muitas pessoas a Cristo, não deve contar com uma honra universal; será acusado de interesses egoístas, dirão que andas atrás de popularidade, ou algum outro crime parecido; será mal-interpretado, difamado, caricaturizado, e considerado um insensato ou patife pelo mundo ímpio. As probabilidades são que a coroa que ganhará nesse mundo, se serves a Deus, conterá mais partículas pontiagudas do que safiras, mais abrolhos que águas-marinhas. Quando seja colocar em sua cabeça, peça graça para que leve-as com alegria, considerando um verdadeiro gozo ser semelhante a seu Senhor. Digas em seu coração: “não sinto desonra nessa desonra. Os homens poderão me imputar coisas vergonhosas, mas não me sinto envergonhado. Poderão degradar-me, porem, não estou degradado. Poderão me cobrir de desprezo, porem não sou desprezível.” O Pai de família foi chamado Belzebu e foi cuspido, e não podem tratar pior aos de Sua casa, portanto, nos burlamos de seu escárnio. Dessa forma somos estimulados à paciência pela paciência do desapreciado Nazareno.
A coroa de espinhos é também um remédio para o descontentamento e a aflição. Quando estamos suportando uma dor corporal somos propensos a estremecer e nos impacientar, mas se lembramos de Jesus coroado de espinhos, dizemos –
“Seu caminho foi muito mais escabroso e escuro que o meu;
Sofreu Cristo meu Senhor e por acaso eu me queixarei?”
E assim nossas queixas se desvanecem; por pura vergonha não nos atrevemos a comparar nossas dolências a Suas dores. A resignação é aprendida aos pés de Jesus, quando vemos nosso grandioso Exemplo aperfeiçoado no sofrimento.
A coroa de espinhos é uma cura para a ansiedade. Alegremente levaríamos qualquer enfeite que nosso Senhor nos prepare, porem é uma grande insensatez tecer coroas de espinhos sem necessidade para nós mesmos. No entanto, vi a alguns que são, assim o espero, verdadeiros crentes, que se esforçam muito em criarem problemas para si mesmos, e trabalham intensamente para aumentar seus trabalhos intensos. Apressam-se para serem ricos, se desgastam, se esforçam, se preocupam, e se atormentam a si mesmo para carregarem-se com o peso da riqueza; se ferem a si mesmos para levar a coroa de espinhos da grandeza mundana. Muitas são as formas de fazermos varas para nossas próprias costas. Conheci a algumas mães que tecem coras de espinhos com seus próprios filhos, aos quais não podem confiar a Deus, e levam coroas de ansiedades pela família, quando teriam podido se regojizado em Deus. Conheci a outros que se fazem coroas de espinhos com medos insensatos, que não tinham razão de existir; porem, pareciam ansiosos de estarem inquietos, ávidos de se espetarem com cardos.
Oh crente, diga a si mesmo: “meu Senhor levou minha coroa de espinhos por mim, por que deveria de levá-la eu também?” Ele tomou nossas aflições e levou nossas dores para que nós fossemos um povo feliz, capaz de obedecer ao mandamento “Não os afaneis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã trará seu afã.” Nossa é a coroa de favores e misericórdias, e a levamos quando deixamos todo nossa ansiedade sobre Ele, que cuida de nós.
Essa coroa de espinhos nos cura do desejo de das vanglórias do mundo, obscurece toda pompa e glórias humanas até que se convertam em fumaça. Se pudéssemos trazer aqui a tiara pontifícia, ou a diadema imperial da Alemanha, ou as insígnias reais do Czar de Todas as Rússias, o que valem comparadas com a coroa de espinhos de Jesus? Sentemos a qualquer grande em seu trono, e vejam que pequeno se vê quando Jesus se senta a seu lado. Que elemento de condição real existe em espremer aos homens, viver a custas de seus trabalhos e dar-lhes muito pouco em troca? O que convêm a um rei é que todos os súditos estejam sumamente agradecidos por um desinteressado amor e ser a fonte de bênçãos para eles. Oh, lhe quita o brilho a seu ouro, e o lustre de todas suas jóias, e a beleza de todas suas preciosas guloseimas, quando comprovamos que nenhuma púrpura imperial pode igualar a glória de Seu sangue, e nenhuma jóia pode rivalizar com Seus espinhos. O espetáculo e a ostentação cessam de ter atrativos para a alma uma vez que as excelências superlativas do Salvador agonizante foram discernidas pelo olho esclarecido.
Quem busca a comodidade quando viu ao Senhor Cristo? Se Cristo leva uma coroa de espinhos, ambicionaremos uma coroa de laurel? Ainda o feroz Cruzado quando entrou em Jerusalém e foi eleito rei, teve o suficiente sentido de dizer: “não levarei uma coroa de ouro na mesma cidade na que meu Salvador levou uma coroa de espinhos.” Por que deveríamos de desejar, como soldados que dormem sobre leitos de plumas, termos tudo arrumado para nossa comodidade e prazer? Por que haveríamos de reclinar-nos em amplos leitos quando Jesus pende de uma cruz? Por que esses delicados vestidos quando Ele está nu? Por que esses luxos quando Ele é tratado barbaramente? Dessa forma, a coroa de espinhos nos cura imediatamente da vanglória do mundo, e de nosso próprio amor egoísta à comodidade. O trovador do mundo poderá gritar: “ei, rapaz, venha aqui e coroe-me com botões de rosas!” porem a solicitação do hedonista não é para nós. Para nós, nem os deleites da carne nem o orgulho da vida podem ter encanto enquanto o Varão de dores está à vista. Devemos sofrer ainda e trabalhar duro até que o Rei nos chame a compartilhar Seu repouso.
V. Devo notar em quinto lugar que existe diante de nós uma COROAÇÃO MÍSTICA. Tenham paciência com minhas múltiplas divisões. A coroação de espinhos de Cristo foi simbólica, e continha um grande significado, pois, primeiro, foi para Ele uma coroa triunfante. Cristo tinha combatido com o pecado desde o dia que esteve frente à frente a ele, no deserto, até quando entrou no pretório de Pilatos, e o venceu. Como uma amostra que tinha ganhado a vitória, eis aqui a coroa do pecado tomada como um troféu! Qual era a coroa do pecado? Espinhos. Essas brotaram da maldição. “Espinhos e cardo te produzirá,” foi a coroação do pecado, e agora Cristo lhe tirou sua coroa e a colocou em Sua própria cabeça. Despojou ao pecado de sua mais rica insígnia real e Ele mesmo a usa. Glorioso campeão, salve! Que será se digo que os espinhos constituíam uma coroa mural[2]? O Paraíso foi cercado com uma cerca de espinhos tão agudos que ninguém podia entrar, porem nosso campeão saltou primeiro a muralha defesiva e levou o estandarte manchado com sangue de Sua cruz até o coração desse novo e melhor Éden, que dessa forma ganhou para nós, para não o perder jamais. Jesus levou a coroa mural, que denota que abriu o Paraíso. Foi a coroa de um lutador a que levou, pois lutou não com carne e sangue, mas sim com principados e potestades, e venceu Seu inimigo. Levou a coroa de um corredor, pois tinha corrido contra os poderosos e os deixou para trás na carreira. Já quase tinha acabado Sua corrida e só lhe faltavam um ou dois passos por dar, para alcançar a meta. Aqui existe um maravilhoso espaço para se estender, mas devemos nos deter já para não nos deixar ir demasiadamente longe. Era uma coroa rica de glória, apesar da vergonha com a que se pretendia o cobrir. Vemos em Jesus o monarca dos domínios do sofrimento, o primeiro em meio de diz mil sofredores. Jamais digam: “eu sofro muito.” Que são nossas dores comparadas com as Suas?
Quando o poeta se fixou por cima do Monte Palatino e pensou na horrenda ruína de Roma, exclamou: “Quais são nossas dores e sofrimentos?” Da mesma forma eu pergunto, que são nossos superficiais sofrimentos comparados com as infinitas aflições de Emanuel? Melhor podemos “controlar em nossos oprimidos peitos nosso abatimento insignificante.” Mais ainda, Jesus é o príncipe dos mártires. Ele dirige a caravana entre o nobre exército de testemunhas sofredoras e de confessores da verdade. Ainda que morreram na fogueira, e se consumiram em calabouços, ou lançados às bestas selvagens, nenhum deles reclama um primeiro lugar; porem, Ele, a Testemunha fiel e verdadeira, com a coroa de espinhos e a cruz, se acha à cabeça de todos eles.
Talvez não seja nossa sorte nos unir a esse augusto grupo, porem, se existe uma honra pela que invejaremos legitimamente aos santos dos tempos antigos, é essa, que nasceram naqueles dias valorosos quando a coroa de rubi estava ao alcance humano, e quando se podia esperar o supremo sacrifício. Somos uns pusilânimes, em verdade, se nesses dias mais tranquilos, nos envergonhamos de confessar a nosso Senhor, e temos medo de um pouco de escárnio, ou tememos diante das críticas dos supostos sábios. Mais bem, sigamos ao Cordeiro onde quer que vá, contentes em levar Sua coroa de espinhos para que em Seu reino possamos contemplar Sua glória.
VI. A última palavra é essa. Na coroa de espinhos vejo um PODEROSO ESTÍMULO. Um poderoso estímulo para que? Bem, primeiro, um estímulo para um fervente amor a Ele. Vocês possam vê-Lo coroado de espinhos sem se sentirem atraídos a Ele? Creio que se Ele viesse aqui no dia de hoje e o pudéssemos ver, haveria uma amorosa aglomeração em volta Dele para tocar a borda de Seu vestido ou beijar Seus pés. Salvador, Tu és mui precioso para nós. Mais amado que todos os homens do alto, meu Salvador e meu Deus, Tu és sempre glorioso, porem, nesses dias, é mais amável quando estás vestido com esse vergonhoso escárnio. O Lírio do Vale, e a Rosa de Sharon, ambos em um é Ele, formoso na perfeição de Seu caráter, e vermelho de sangue na grandeza de Seus sofrimentos. Adorem-no, Adorem-No, Bendigam-Lhe! E que Suas vozes cantem: “O Cordeiro é digno.”
Continuando, o espetáculo é um estímulo para o arrependimento. Nossos pecados colocaram espinhos ao redor da Sua cabeça? Oh, minha pobre natureza caída, te açoitarei por açoitar a Ele, e te  farei fazer sentir os espinhos porquanto Ele os suportou. Como podem ver a seu Amado submetido a tanta vergonha e, no entanto podem fazer uma trégua ou dialogar com os pecados que o atravessaram? Não pode ser. Declaremos diante de Deus a profunda dor de nossas almas por ter feito sofrer ao Salvador de tal maneira; logo, peçamos graça para cercar nossas vidas com espinhos para que a partir desse momento o pecado não se aproxime de nós.
Recordo-me hoje quando frequente vi o abrunheiro espinhosos crescer na cerca toda eriçada com mil farpas, porem, justo no centro do arbusto vi um precioso ninho de passarinho. Por que essa criatura colocou sua habitação ai? Porque as espinhas se convertem em uma proteção para ela, e a abrigam de qualquer dano. Conforme meditava a noite sobre esse bendito tema, me ocorreu lhes pedir que construam seus ninhos dentro dos espinhos de Cristo. É o lugar seguro para os pecadores. Analisem os sofrimentos de Seu Salvador, e verão a expiação do pecado. Voem para Suas feridas! Voem, vocês, tímidas pombas estremecidas! Não há um lugar de descanso mais seguro para vocês. Construam seus ninhos, repito, entre esses espinhos, e quando o tenham feito, e tenham confiado em Jesus, e o tenham aceitado como seu tudo em tudo, então venham e coroem Sua sagrada cabeça com outras coroas. Qual glória merece? O que é suficientemente bom para Ele? Se pudéssemos tomar todas as coisas preciosas de todos os tesouros dos monarcas, não seriam dignas nem de ser pedrinhas em Seus pés. Se pudéssemos trazer-lhe todos os cetros, mitras, tiaras, diademas e todas as outras pompas da terra, seriam todas indignas de ser lançadas ao pó diante Dele.
Com que haveríamos de coroar-Lhe? Venham, teçamos conjuntamente nossos louvores e usemos nossas lágrimas como pérolas e nosso amor como ouro. Brilharão como diamantes em Sua estima, pois Ele ama o arrependimento, e ama a fé. Façamos nessa manhã uma grinalda com nossos louvores e o coroemos como o Laureado de graça. Esse dia em que ressuscitou dos mortos, o glorifiquemos. Oh, que recebamos graça para fazê-lo com o coração, e logo em nossa vida, e logo com nossa língua, para que louvemos eternamente a Quem submeteu Sua cabeça à vergonha por nós.
Porção da Escritura lida antes do Sermão: Mateus 27:11-54
ORE PARA QUE O ESPIRITIO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.
FONTE Traduzido de spurgeon  Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público Sermão nº 1896— THE THREE HOURS OF DARKNESS –  do volume 32 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,  Tradução e revisão: Armando Marcos Pinto
[1] Spina Christi é uma pequena árvore que cresce a 3-4 m de altura. Os rebentos são zigzagueados, com uma folha e duas espinhas (uma reta, uma curva) do lado de fora de cada torção. O nome reflete uma antiga lenda que os galhos espinhosos foram usados ​​para fazer a coroa de espinhos colocados em Cristo antes de sua crucificação. (Wikipédia)
[2] Coroa mural: a que se concedia ao soldado que escalava o primeiro muro de uma cidade sitiada.
.
No. 1168

Sermão pregado na manhã de Domingo de 13 de Abril de 1874.
Por Charles Haddon Spurgeon.
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.
SERMÕES DE PASCOA “PAIXÃO DE CRISTO” IMPRESSO



?????

Redes Sociail

..