xmlns:b='http://www.google.com/2005/gml/b'xmlns:data='http://www.google.com/2005/gml/data' xmlns:expr='http://www.google.com/2005/gml/expr'> Vida Cristã: pastor
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terça-feira, 5 de julho de 2016

Pastores através do trabalho comum cumprem sua vocação extraordinária

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Pastores através do trabalho comum cumprem sua vocação extraordinária



Quando você lê a palavra “comum”, o que você pensa? Sinônimos frequentes incluem inexpressivo, típico, normal e ordinário. Assim que você juntar esses sinônimos a um substantivo, você chegará a conclusões: Meu dia foi típico. O filme foi inexpressivo. O show foi regular. Quando pensamos sobre o ministério pastoral, somos tentados a fazer a mesma coisa: Meu pastor é inexpressivo; bem regular, na verdade; nada de especial; ele não fala em conferências e ainda não escreveu nenhum livro. Ele é apenas… comum.
Aqui está a realidade: um pastor comum provavelmente não será estimado em uma sociedade que mede o sucesso em termos de tamanho da igreja, vendas de livros e influência nas mídias sociais. No entanto, a percepção bíblica do sucesso está ligada à fidelidade do pastor. Em outras palavras, um pastor fiel nunca é menos que um pastor comum.
Eles são peregrinos
Pastores fiéis nunca são menos do que cristãos fiéis. O apóstolo Paulo foi um exemplo disso ao exortar os coríntios: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Coríntios 11.1). Pedro escreve que os pastores devem ser modelos para o rebanho (1Pedro 5.3). Mas um exemplo de quê? Sendo conquistado pela mensagem transcendente do evangelho e pela imanência da experiência do reino, o pastor percebe que é um peregrino passando por esta terra em seu caminho para a Cidade Celestial. Ele persistentemente recalibra seu coração, mente e vida para a realidade de sua união com Cristo (Colossenses 3.1-4). Ele contempla a glória de Cristo, levando à mortificação da carne e vivificação do espírito (Colossenses 3.5-17). Ele se esforça em santificação, enquanto leva o rebanho a fazer o mesmo.
Eles são missionários
Paulo lembra Timóteo de fazer “o trabalho de um evangelista” (2Timóteo 4.5). Parte deste trabalho é, obviamente, a abordagem intencional de incrédulos com o evangelho. Mas o pastor também deve equipar a congregação para pensar e agir como missionários. Afinal, a Grande Comissão é um comando para que os seguidores de Jesus reorientem suas vidas em torno de fazer discípulos de todas as nações (Mateus 28.19-21). Os pastores podem fazer o trabalho de um evangelista treinando a congregação para que fielmente, zelosamente e atrativamente anunciem Cristo para as nações e para seus vizinhos. O trabalho pastoral comum inclui ajudar as pessoas a ver a importância, o privilégio e a prioridade de viver como um missionário.
Eles priorizam a igreja local
Pedro lembra especificamente seus ouvintes de que eles devem se preocupar com o rebanho para o qual Deus os chamou (1Pedro 5.2). O primeiro chamado do pastor é sua igreja local. Como resultado, o pastor lembra que, ainda que escrever e palestrar certamente sirvam à igreja mais ampla, essas coisas nunca vão ofuscar a substância e a esfera da sua vocação para sua igreja local.
Eles conhecem as ovelhas
Jesus, o modelo e motivação para todos os pastores, nos lembra que ele conhece suas ovelhas e suas ovelhas o conhecem (João 10.14). Ao considerarem as responsabilidades de seu chamado ministerial, o pastor deve lembrar que as ovelhas estão bem no centro delas. Ele deve conhecer suas virtudes e fraquezas. Afinal, ele prestará contas por esse rebanho (Hebreus 13.17). O pastor comum sabe que ele está lá para mais do que apenas ocupar o púlpito da igreja. Ele está lá para cuidar das ovelhas.
Eles amam as ovelhas
O cristianismo comum consiste em amar uns aos outros (João 13.34-35); certamente, um pastor comum faz o mesmo. Oramos pelas ovelhas com frequência, aconselhamos quando estão se desviando, incentivamos quando estão fracas, visitamos quando estão doentes, choramos com elas quando estão sofrendo e nos alegramos com elas quando estão felizes. Alegremente, voluntariamente e sacrificialmente servimos o rebanho com vistas à sua santidade. É isso que significa seguir o modelo do amor de Cristo (Marcos 10.45; Hebreus 12.1-2; 1João 3.16). Afinal, Jesus nos amou quando não éramos agradáveis; portanto, respondemos alegremente amando aos outros.
Eles alimentam e guardam as ovelhas
Quando Jesus restaurou Pedro, ele o encarregou de ser modelo para o pastoreio comum. Parte disso foi o chamado de Pedro para alimentar e guardar as ovelhas (João 21.15-17). Pastores fazem isso ao pregar fielmente a Bíblia, semana após semana, e estabelecer uma cultura de discipulado e treinamento. Assim, o ministério do pastor mostra um grande amor por Cristo e suas ovelhas tratando fielmente do crescimento e cuidado do rebanho. O cajado do pastor tem duas extremidades. Com uma, ele as reúne e alimenta, e com a outra, ele as protege dos lobos. Esse é o trabalho comum do pastor.
Quando os pastores levantam a cabeça da rotina diária e veem outros homens falando em conferências, escrevendo livros e dando entrevistas, eles podem ficar desanimados. No entanto, o pastor precisa lembrar que, ao passo que escrever, falar e outras atividades feitas fora do âmbito da sua igreja local podem certamente servir o povo de Deus, estas coisas nunca irão eclipsar a substância e a esfera da sua vocação para sua igreja local. Ele deve persistir em seu trabalho comum. Ele faz isso cuidando de seu próprio coração, fazendo o trabalho de um missionário, e apascentando o rebanho. Através deste trabalho comum, ele cumpre sua vocação extraordinária.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Eu sou piedoso? – a 1ª questão para quem pensa em ser pastor

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Eu sou piedoso? – a 1ª questão para quem pensa em ser pastor



Quando avaliamos o chamado para o ministério pastoral, a primeira questão que um homem deve perguntar é: Eu sou piedoso?
Os requisitos morais para um pastor são claramente especificados em 1 Timóteo 1.1-7, que diz:
“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.”
Se você é como a maioria das pessoas, a lista de qualidades pode parecer longe de ser alcançada. À primeira vista, essa passagem, juntamente com a passagem de Tito 1, parece deixar rapazes medianos fora de questão! Quem possivelmente consegue viver de acordo com tais requisitos?
Aqui estão duas coisas a considerar ao pensar sobre essa passagem. Primeiro, a maioria das qualidades que são listadas nessas passagens são, na verdade, mandamentos a todos os crentes, de certa maneira. Todo o cristão é chamado a ser “temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro” e “não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento”, e que governe bem a própria casa “criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito”. Não é como se pastores e presbíteros não podem se embebedar, enquanto outros crentes são livres para encher a cara como universitários na balada[1] !
Aqui está o meu ponto: o homem chamado ao ministério não é um tipo de super cristão que vive sob um código de conduta superior. Ele simplesmente é um homem chamado, dotado de dons que o capacitam a liderar o povo de Deus e com a graça que o permite ser um exemplo.
A segunda coisa a respeito dessa passagem é que o homem chamado pode acabar se aproximando dessas passagens com um padrão inflexível que demanda conformidade e pune desobediência. Se você se sente dessa maneira a respeito dessas passagens, você precisa entender algo muito importante: O chamado de Deus sobre um homem transmite a graça necessária para a piedade exigida.
Deixa-me explicar isso um pouco mais. Em 1 Timóteo 3 e Tito 1, nós vemos extraordinárias evidências da atividade de Deus precedendotoda clara evidência de chamado. Contudo considere o modo como Paulo usa o termo “seja” em 1 Timóteo 3.2. O bispo deve ser irrepreensível, temperante,  sóbrio, modesto etc. O tempo presente permanece por toda a lista. Paulo não está apresentando uma lista de alvos a serem alcançados. Pelo contrário, ele está falando de qualidades que já estão presentes. Elas são pré-condições para um presbítero, não eventuais resultados a serem aguardados.
O que isso quer dizer, então? Que a graça de Deus está operando em certos homens a produzir certos tipos de vida. Identificar um homem chamado é primariamente observar graça já operante na vida de um homem. A graça radiando através da vida de um homem é um indicador de que ele é chamado.
Pode alguém atingir as qualificações do ministério pastoral? Sim, porque o chamado de Deus transmite graça. Se você é chamado, pode confiar que Deus já começou a trabalhar em você.

Fidelidade vs. Sucesso – Como medir um ministério?

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Fidelidade vs. Sucesso – Como medir um ministério?


Como medir um ministério aprovado pelo Senhor? Será que devemos medir através de grandes números? Popularidade e fama? Enormes impactos aparentes?
O ministério é avaliado pela fidelidade
Sabemos que aqueles que receberão as doces palavras “entra no gozo do teu senhor” é o “servo bom e fiel” (Mt 25.21), aquele que apostou toda sua vida no trabalho de seu mestre, não escondendo seu talento debaixo do solo como “garantia” caso o mestre voltasse enquanto vivia para si próprio. Bom e fiel. Moisés também foi elogiado pelo Senhor por ser “fiel em toda a minha casa” (Nm 12.7)
Acredito que o texto mais claro sobre o assunto é 1 Coríntios 4.2: “requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel”. Paulo alerta contra aqueles que julgam o ministério de alguém antes do tempo: “Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor.” (1Co 4.5). Ou seja, o Senhor quando vier irá mostrar as coisas ocultas e revelar as intenções do coração e o que ele procurará? O que é requerido? Fidelidade.
Lembre-se que Paulo fala isso para uma igreja orgulhosa, que acha que já está farta, rica e reinante, mas que justamente falha em sua fidelidade. Muitos dons, pouco amor; grandes manifestações, pouca santidade. Igreja que tinha os super-apóstolos e Paulo, sabe aquele apóstolo atrasado que chegou a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos (1Co 4.13), aquele que no final da sua vida foi preso e martirizado – sem glamour. Porém ele sabia que havia combatido o bom combate, completado a corrida, guardado a fé e que a coroa da justiça lhe estava reservada (2Tm 4.7-8).
Sejamos sinceros. No final de uma vida de sucesso, imaginamos diversas pessoas chorando e sentindo nossa morte, ao nosso redor, enquanto fechamos os olhos, sem dor, e atravessamos o Jordão. Prisão e martírio não parecem muito triunfal.
Não esconda a indolência no manto da fidelidade
Até aqui muitos concordam. O problema é que muitos escondem sua indolência no manto da fidelidade, assim como o servo mau: “aqui está o talento que me deste; eu escondi e estou fielmente devolvendo”. Sim, pasme! A indolência usa o discurso da fidelidade. Porém, no fundo eis o que deveria ser dito: “eu não me esforcei com a sua obra, meu mestre; fiz o básico de esconder o talento para quando você voltar e gastei meu tempo em outras questões”.
Versões modernas disso podem ser algo como: “eu prego a verdade mesmo! Doa a quem doer! É por isso que ninguém quer me ouvir”. Caro irmão, já considerou que pode ser pelo fato de você não ter zero tato pastoral? Ou talvez você pregue mal mesmo… É, eu sei, dói pensar nessa possibilidade.
“Não!”, mas alguém dirá. “Isaías foi chamado para pregar e Deus falou que ninguém o ouviria”. Foi mesmo. Porém, minha aposta é que você não teve uma visão do trono de Deus e ele o convocou a pregar até que o povo ficasse surdo (espiritualmente) e morresse ou fosse exilado (literalmente). Então, quem sabe, assim, talvez, não seja melhor você cogitar um autoexame? Ou buscar a opinião de outras pessoas? Afinal, pode ser um ponto cego.
Ou ainda: “somos uma pequena igreja fiel”. Pode ser que sim. Sério. Contudo, pode também ser o fato de que a igreja é tão panelada que todo visitante se sente um intruso. Ou, claro, que deixaram de evangelizar. Ou que tudo na igreja indique que tanto faz se tem visitantes ou não: não há uma exposição clara do evangelho e do chamado à fé, não há ninguém procurando visitantes para cumprimentá-los, ninguém se incomoda com o fato de não ter nenhum rostinho novo há mais de 4 meses.
Lemos em Atos que a Palavra crescia, enquanto o Senhor acrescentava à igreja, conforme os ministros eram fiéis em plantar e regar. Sim, sim, é Deus que dá o crescimento (quantidade e qualidade – não só um, nem só o outro, certo?). E, sim, meu irmão, ele dá. E é algo que devemos pedir. Sim, devemos. Aliás, eu até diria que é algo que deveríamos esperar. Quando uma criança não cresce em estatura e força ficamos preocupado e buscamos examinar qual o problema em seu corpo. Afinal, falta de crescimentonormalmente demonstra doença (percebeu o normalmente, né?). Assim, quando as coisas não parecem frutificar, nossa postura deveria ser de…? Sim, autoexame… e clamor a Deus.
Ações vs. Resultados
Tentando fugir da dicotomia “fidelidade vs. sucesso”, Tim Keller, em Igreja Centrada, afirma que devemos nos avaliar por frutificação. Ele sente o mesmo problema que mencionei acima: pastores que não tem se esforçado o suficiente, mas escondido seu comodismo sob o manto da fidelidade. Keller ilustra com um pastor de uma área rural que muda para um centro urbano e continua a fazer as coisas da mesma forma e as coisas parecem não estar dando muito certo. Ele entende que o pastor deveria olhar para sua falta de frutos, avaliar seu ministério e buscar contextualizar-se (simplificando, claro).
Jonathan Leeman, em uma resenha do livro, entende o ponto de Keller e concorda que todo ministro deve ter uma santa ambição e ser famintos por frutos, mas aponta um problema. A ideia de frutificação de Keller ainda olha para a mesma coisa que o sucesso: os resultados. Já a fidelidade olha para nossas ações. Ou seja, pode ser, de fato, que aquele pastor que mudou para uma grande cidade esteja encontrando um solo seco e que não há nada que ele possa fazer além de continuar pregando a Palavra. Entretanto, pode ser que lhe falte esforço e sabedoria. A questão é que se este é o problema, a falha está justamente na fidelidade, e não nos resultados. Como Leeman bem aponta, nossas ações estão em nosso controle, os resultados, não.
Pense, por exemplo, em evangelização. Se a definimos em termos de resultados, como “ganhar almas”, então colocaremos o alvo sobre algo que não controlamos (a conversão de uma alma) e poderemos ser tentados a fazer qualquer coisa para chegar a esse fim. Contudo, se a definirmos em termos de nossas ações e fidelidade, entenderemos que, como disse Bill Bright, “o êxito ao testemunhar consiste simplesmente em compartilhar Cristo no poder do Espírito Santo, deixando os resultados com Deus”.
O ministério é avaliado pela fidelidade ativa
Por isso, entendo que a melhor forma de avaliarmos nosso ministério é pelo que chamei de “fidelidade ativa”. Poderia muito bem ser chamado somente de fidelidade, mas para distinguir da “indolência transvestida de fidelidade” (ou fidelidade passiva), preferi adicionar um termo.
Em termos práticos, o que isso significa? Significa que precisamos pensar em fidelidade como algo que exige labor, autoexame, aperfeiçoamento e um desejo por frutos. Um pastor que não deseja o crescimento de sua igreja (novamente, qualidade e quantidade) possivelmente não está sendo fiel (cabe lembrar que o crescimento de uma igreja não significa necessariamente torná-la uma mega-igreja; existe a possiblidade de crescer multiplicando-se em novas igrejas). O resultado pode não estar em nossas mãos, mas o querer e o buscar, sim. Da mesma forma, um ministro que não procura aperfeiçoar-se em seu chamado não está sendo fiel.
Deixe-me colocar de outra forma: a menos que você esteja disposto a também falar e praticar os versículos abaixo, seria melhor você nem falar em fidelidade:
• “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1Co 9.22).
• “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio?Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.” (1Co 9.24-27)
• “Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar.” (1Co 10.33)
• “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.” (1Co 15.10)
• “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” (1Co 15.58)
Espero que você tenha reparado que todos estes textos vem de 1 Coríntios, o mesmo livro que afirma que “requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel”. Espero que isso nos ajude a entender que Paulo tem em mente mais do que somente fidelidade doutrinária.
Então, o que fazer se você não vê frutos em seu ministério? Se você for guiado por resultados, cairá noerro de que os fins justificam os meios. Ou seja, não tente fazer tudo que for possível (quer seja bíblico ou não), mas tente fazer de tudo dentro do escopo da fidelidade (mesmo que possa parecer estranho como “ser bárbaro para os bárbaros”). Então, a pergunta é: como posso esforçar-me para ser mais fiel? Ou: que áreas do meu ministério eu não preciso ser mais fiel? Não esconda sua indolência no manto da fidelidade passiva, nem oriente seu ministério pelos resultados. Busque ser ativamente fiel.

Como planejar uma série de pregações

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Como planejar uma série de pregações


Um e-mail apareceu em minha caixa de entrada outro dia com uma pergunta extremamente relevante: “Sou totalmente novo no jogo da pregação semanal, e amaria ouvir como você planeja seus calendários anuais de pregação e a estrutura de cada livro que você ensina…”. Ele era um plantador de igrejas que agora está se tornando um pastor consciente. Aqui está um pouco do que eu disse a ele.
Lembre-se que o alvo de cada culto não é meramente pregar, mas entregar uma ‘pregação pastoral’. Isso significa que a Palavra de Deus não é meramente exposta, mas entregue a uma congregação específica num tempo específico. Algumas maneiras de descobrir a hora certa de uma série particular incluem:
• Orar. Esta não é meramente uma etapa supérfula obrigatória de ação oferecida e dispensada para que possamos chegar logo ao que interessa é importante naàs questões importantes de liderança e logística! Selecionar uma série de pregações é primeiramente uma tarefa santa na qual nós envolvemos o Salvador para nos ajudar a discernir o que melhor servirá ao povo dele. Impressões subjetivas não são definitivas, nem malignas. Você está pedindo ajuda porque você precisa de respostas. Ore por uma direção específica e preste atenção a como você se sentirá guiado depois do pedido.
• Uma vez que os presbíteros são responsáveis por exercitar o pastoreio na igreja (1Pedro 5:2), entreviste-os para ouvir a sensação deles a respeito do que as ovelhas precisam agora.
• Considere sessões de aconselhamento recentes e conversas particulares com os membros para o que elas possam revelar a respeito de quais áreas da igreja precisam de atenção.
• Considere o ritmo dos Antigo e Novo Testamentos para se certificar que você está pregando “todo o desígnio de Deus” (Atos 20:27).
• Considere a “espessura” teológica dos livros nos quais você está pregando. Pregação pela totalidade de Romanos, seguida da exploração de cada capítulo de Ezequiel, pode não servir à sua congregação da forma mais eficaz. Pode ajudar o girar entre livros que são mais teológicos e livros que são mais narrativos ou “práticos”.
• Considere como Deus tem falado a você pessoalmente através da sua própria comunhão com ele. Como um pastor, parte do seu trabalho é dispensar às pessoas, através da pregação, o que Deus tem derramado em você.
• Considere o nível de maturidade da congregação. Eles estão acostumados com pregação expositiva? Se não, fazer uma série expositiva em um livro longo, como Lucas, pode não ser sábio para impulsionar a igreja. Levar as pessoas a uma fome por pregação expositiva algumas vezes começa com pequenas mordidas.
• Ao pregar uma série específica, explique à congregação o propósito por trás da série. Você está pregando em Romanos porque você quer crescimento na compreensão do Evangelho. Você está pregando nos Salmos porque você quer aprender a comunhão com Deus através dos altos e baixos da vida. Suas explicações serão provavelmente mais robustas, mas meu ponto é que saber o coração por trás da série pode ajudar a congregação a receber a série.
Quando você estiver determinando a duração de uma série de ensino, eu encorajaria você a perguntar:
• Depois de algumas leituras neste livro da Bíblia, como tudo parece se agrupar naturalmente para mim?
• Como os tradutores da sua Bíblia fragmentam cada seção do livro que você quer expor?
• Como outros pregadores que você respeita (vivos ou mortos) dividem o livro quando pregaram sobre ele?
• Como os melhores e mais teologicamente fundamentados comentários estruturam a divisão do livro?
Uma vez que você perguntou a respeito da sabedoria de ir mais longe e mais profundamente em seções mais curtas, deixe-me encorajá-lo a considerar:
• O gênero do livro. Geralmente, narrativas podem ser concluídas em pedaços maiores do que epístolas.
• Seu povo. O seu amigo pode ficar impressionado pela sua habilidade de demorar 3 anos pregando por todo o livro de Filemom, mas o objetivo é o culto e não o direito de se gabar. Que andamento serve ao seu povo agora? Lembre-se, você está procurando servir ao povo da sua igreja. Cuide para que você não fique muito preso em minúcias de uma passagem (tempos gregos, pano de fundo histórico etc.), a ponto de você perder o ponto principal do texto.
• Seu nível de capacidade. Se você é como Piper em sua pregação (e por falar nisso, isso não pode ser uma auto-avaliação… precisa vir de outros!), fique à vontade para gastar dois anos para pregar em Romanos. O resto de nós, mortais, precisam considerar nossas habilidades e mirar em alvos mais razoáveis.
• Ah, e se você é um pregador mais novo, procure identificar uma proposição, ou um ponto principal primordial, para cada pregação. Isso vai ajudar a orientar a sua mente no sentido de identificar o coração de uma passagem e cristalizá-la em uma frase. Isso treina a mente a pensar mais claramente.
Eu também encorajaria você a conseguir um feedback regular das mensagens que você prega. Se possível, peça a dois ou três pastores experientes e maduros para ouvir as suas pregações e lhe dar um feedbackhonesto e sem rodeios. Você é claro? Você está pregando por muito tempo (você é um pregador de 30 minutos tentando pregar por 50 minutos?)? Você está aplicando eficazmente a passagem da Escritura às lutas da vida real? Perguntas como essas podem ajudar você a se tornar um pregador mais efetivo. A verdade é: você não vai crescer na pregação sem um feedback honesto dos outros.
Numa discussão como essa, deve-se perceber que esta é uma área na qual temos liberdade e flexibilidade. A Bíblia não soletra um plano passo a passo para uma série de pregações. Para alguns pastores, a ideia de planejar uma série comprida de pregações pode apresentar uma tentação significativa ao medo. E se eu estragar tudo? E se eu pregar a série errada? E se eu precisar mudar a série? Descanse. A Bíblia pressupõe que você vai pregar a Palavra a tempo e a fora de tempo. Ela não vai mais além disso. Você pode confiar que Deus vai usar seus esforços, não importa quão frágeis sejam.
Ainda em relação a tudo isso, por favor, lembre: seu alvo primário é alimentar seu povo. Você não precisa fazer o que Spurgeon, Piper ou Chandler fizeram. Eles pregaram para a congregação específica deles. Você precisa pregar de tal forma que alimente os que foram colocados sob seu cuidado. Deus será agradado, a igreja será edificada e a sua alma será profundamente satisfeita.

Os desafios que todo pastor enfrenta

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Os desafios que todo pastor enfrenta



Este texto faz parte de uma série. Para ler o texto anterior, clique aqui.
Leitura sugerida pelo autor essa semana: páginas 109 a 182.
Um dos feitos extraordinários de Marilynne Robinson em Gilead é criar, como mulher, uma voz narrativa plausível para um homem. Além disso, como uma pessoa leiga ela consegue captar, com incrível autenticidade, a vida interior de um homem que atua no ministério pastoral.
O Reverendo Ames é honesto em relação aos desafios do ministério, familiares a qualquer pastor. Ele se queixa das reuniões da igreja (“só umas poucas pessoas presentes, e não se tirou absolutamente nada de concreto” – p. 237); confessa quão difícil é amar suas ovelhas (“depois de algum tempo, cheguei a me perguntar se não gostava mais da igreja quando não havia ninguém nela” – p. 89).
Ao mesmo tempo, ele sabe que seus paroquianos o tratam de maneira diferente, respeitando-o mais do que ele merece – uma “imaginação benevolente” (p. 53) que lhe é difícil desiludir. Ele também lamenta a implacável proximidade do sermão da semana seguinte (“parece que é domingo o tempo todo, ou, então, sábado à noite. Mal acabamos de nos preparar para uma semana, já estamos na semana seguinte” – p. 281-82).
A diferença que um ministro faz
Com esses desafios inevitáveis, surgem muitas oportunidade para o ministério pessoal. As mesmas pessoas que repentinamente mudam de assunto quando veem o pastor chegando, Ames diz, “vêm ao nosso escritório e nos contam as coisas mais incríveis” (p. 12) – o rancor, o medo, a culpa e a solidão que existe sob a superfície da vida.
Em cada encontro pastoral, Ames tem procurado discernir o que o Senhor está pedindo dele “nesse momento, nessa situação” (p. 152). Ainda que ele tenha que lidar com alguém difícil, essa pessoa é um “emissário enviado pelo Senhor”, que lhe oferece “a chance de mostrar que, em algum nível, por menor que seja, participo efetivamente da graça que me salvou” (p. 152).
Durante toda a sua vida no ministério, lidando com uma grande variedade de necessidades espirituais, o Reverendo Ames aprendeu que tentar provar a existência de Deus é uma estratégia ineficiente para lidar com a dúvida espiritual. “Não se pode dizer nenhuma verdade sobre Deus a partir de uma postura defensiva” (p. 215), ele acredita. Na realidade, “a tentativa de defender a crença pode, na verdade, abalá-la”, pois “há sempre uma inadequação em argumentar a respeito das coisas últimas” (p. 217).
Ele também aprendeu como responder as perguntas que as pessoas concebem sobre o tormento do inferno, o qual, ele crê, a Bíblia caracteriza primariamente como a separação de Deus: “Se quiserem se informar sobre a existência do inferno, não tentem segurar com a mão a chama de uma vela; apenas reflitam sobre o ponto mais cruel, mais desolado da sua própria alma” (p. 253).
Ames também aprendeu o valor da amizade para o ministério. Ele é uma pessoa abençoada por ter Robert Boughton como seu amigo mais velho e querido, e colega íntimo no ministério. Tendo crescido juntos em Gilead, os dois agora atuam como pastores das principais igrejas da cidade. Eles não trabalham isolados, mas compartilham ideias, discutem seus sermões e oram pelas famílias um do outro.
Para reflexão ou discussão: Quais são os desafios mais difíceis que você enfrenta enquanto serve a Deus na igreja? Quais as lições mais importantes que você aprendeu sobre o ministério – as principais lições que você transmitiria a alguém que está começando agora? Quais as perguntas mais comuns que as pessoas fazem sobre Deus? Como você aprendeu a respondê-las, ou não respondê-las? Que padrões de relacionamento e responsabilidade sustentam o seu ministério? Que relacionamentos você ainda precisa colocar no lugar?

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