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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Resgatando a ambição no ambiente de trabalho (Parte 1)



Resgatando a ambição

no ambiente de trabalho (Parte 1)




Há alguns anos, eu escrevi o livro Resgatando a Ambição [Editora Fiel] e convoquei a um resgate. Eu desejava desviar a ambição das muitas motivações más e colocá-la em ação para a glória de Deus. Eu quis que os cristãos percebessem que para compreender a nossa ambição, devemos entender que estamos em uma busca por glória. E onde encontramos a glória determina o sucesso da nossa busca. Desde que escrevi esse livro, muitos sugeriram que eu abordasse o propósito de Deus para a ambição no ambiente de trabalho e na vocação diária. O que segue é a primeira parte de uma série em várias partes sobre o resgate da ambição no ambiente de trabalho.
“Se você pudesse dizer algo aos cristãos envolvidos no mundo dos negócios, o que seria?”
Eu fiz a pergunta a um amigo, um bem-sucedido diretor executivo de várias empresas há muitos anos no mercado. Em quatro décadas de liderança, ele tinha visto cristãos de todos os tipos, formas e tradições no local de trabalho. E, para ser sincero, ele não ficou impressionado. Diante de mim, ele disse: “Eu diria a eles que é certo aos cristãos competirem no mercado”. Ele prosseguiu explicando que há uma maneira dos cristãos compreenderem a piedade que parece remover a sua motivação por realizações.
Os cristãos se tornaram tão modestos que aspiravam por pouco. A humildade era uma ambição sufocante. E em suas mentes era bom, porque a ambição é má. Meu amigo executivo estava combatendo algo importante. A ideia de ambição — buscar glória, valorizar grandes sonhos e se esforçar para alcançá-los — é embaraçosa para os cristãos no mercado. Talvez isso ocorra porque no debate cultural, a ambição muitas vezes tem uma má reputação. A ambição gera suspeitas. Esconde aqueles lugares obscuros na alma onde germinam a agressividade, o orgulho e a competição fria e calculista. A ambição tem fome insaciável de dinheiro, poder e prestígio. Sempre deseja, nunca fica satisfeita. Ou parece ser assim.
Nós todos conhecemos “essa pessoa”. Na verdade, oramos para que não nos tornemos “essa pessoa”. Você sabe, o chefe difícil de lidar, o colega de equipe que vence a qualquer custo, o suposto amigo que usa pessoas para subir na escada social. Shakespeare o resumiu bem: “Eu te desafio, põe de lado a ambição: por causa desse pecado, caíram os anjos”.[1]
Adeus ambição, olá felicidade! Certo?
Eu não tenho tanta certeza.
Mas acho que meu amigo está certo. Quando se trata de cristãos no ambiente de trabalho, a ambição precisa ser resgatada.
Resgatada do quê?
Resgatada do egoísmo
Em sua forma mais santa, a ambição é simplesmente o desejo de usar nossos dons para a glória de Deus. Há um impulso inerente em nós para criarmos e produzirmos de uma maneira que reflita o próprio Criador. Em Gênesis 1-2, somos ordenados a sermos fecundos e nos multiplicarmos para enchermos a terra, subjugarmos a terra e termos domínio sobre ela. Antes do advento do pecado, Adão agia em harmonia com o modo que foi criado: trabalhava no jardim, iniciava um trabalho frutífero, dedicava-se à criação na presença de Deus. A ambição era originalmente nobre porque expressava um instinto de produzir para a glória de Deus.
Se você quiser encontrar a fórmula bíblica para a ambição nos negócios, pode começar com o mandato da criação — encaminhe-se para o trabalho intenso, a capacidade de inovar, a visão para construir — tudo isso vinculado à criação. As pessoas criadas à imagem de Deus deveriam estar envolvidas no mundo dos negócios. Então, onde está o problema?
Contudo, a ambição foi corrompida na queda. O coração de Adão foi corrompido, ficou contaminado com um profundo desejo de ser “como Deus” (Gênesis 3.5). A glória de Deus foi desviada para a busca da glória pessoal. A ambição se curvou para dentro e se tornou egoísta. E isso é o que foi transmitido para nós. Nossa ambição natural não é mais glorificar a Deus ou refletir a Deus. Queremos substituir Deus e entronizar o eu.
O que poderia ser mais insensato do que tentar destronar a Deus? Imagine se eu disputasse um negócio totalmente dependente de contratos do governo. E um dia eu decidisse me revoltar contra o governo, e rasgasse todas aquelas especificações governamentais. O governo quer 10.000 unidades em cinza e branco? Vamos lhe dar cinquenta mil na cor amarela. Nós recrutamos a nossa equipe de marketing a partir da Al Quaeda.[2]  O que você pensa que acontecerá com minhas perspectivas de negócios? Você acertou, a empresa fracassa e, na verdade, eu vou preso. Essa é a queda do homem em toda a sua estupidez. Essa é a corrupção da ambição.
Quando a ambição busca a sua própria satisfação, seja nos negócios ou na vida, deixa de produzir o que deveria. Torna-se, na linguagem do livro de Tiago, “sentimento faccioso”, produzindo “confusão e toda espécie de coisas ruins”. Mas no evangelho não há apenas resgate de nós mesmos, há resgate das nossas ambições. Nós redescobrimos a alegria de viver para a glória de Deus e para o bem dos outros. Nosso trabalho, inovação e visão são investidos em direção ao proveito nesse mundo e no vindouro.
(Essa é a parte 1 de uma série de cinco partes: “Resgatando a ambição no ambiente de trabalho”).
#1: Shakespeare, Rei Henrique VIII, ato 3, cena 2.
#2: Grupo terrorista islâmico.


Resgatando a ambição no ambiente de trabalho (Parte 2)


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Essa é a parte 2 de uma série sobre como podemos resgatar a ambição pela glória de Deus em nosso ambiente de trabalho.

sábado, 16 de julho de 2016

Evangelho na Periferia – Princípio 4: Desenvolva Líderes

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Evangelho na Periferia – Princípio 4: Desenvolva Líderes


Desenvolvimento de líderes
Esta é uma área chave do ministério na periferia. Muitas igrejas locais neste assunto entregam completamente suas responsabilidades para os seminários, o que pode, em alguns casos, resultar em perda para a igreja e para a pessoa que está sendo treinada. Certamente, na periferia, nós precisamos ter claramente definida uma abordagem multifacetada para desenvolver a próxima geração de líderes. É claro que os líderes mais efetivos são líderes locais, mas o que devemos fazer quando isso não está acontecendo, ou provavelmente não acontecerá por muitos anos? Eu não sou um líder realmente local (de Niddrie), mas eu sou um líder de mesma origem cultural. Eu cresci numa periferia no norte da Inglaterra e, por essa razão, eu conheço a “cultura da periferia”. Em minha equipe ministerial, eu tenho um grupo que consiste de pessoas de classe média vindas de fora (os de fora da cultura), pessoas da localidade e outras de mesma origem cultural. Cada um deles têm suas forças e fraquezas.
“Os de fora da cultura”
Estes são geralmente jovens de classe média que têm a periferia no coração, mas não tem a experiência de vida e/ou mentalidade formada por essa cultura.
Positivo: Eles são normalmente muito inteligentes, bons em aprender e trazem um senso de autodisciplina para equipe. Eles podem ter passado por algum treinamento teológico formal, ou podem estar pensando em fazer isto no futuro. Eles vêm a Niddrie para ganhar alguma percepção e experiência real do que é estar envolvido em um ministério em tempo integral, particularmente neste contexto. Eles quase sempre são fortes em suas habilidades interpessoais.
Negativo: Eles quase sempre são extremamente ingênuos quando se trata de lidar com (algumas) situações de manipulação. Eles também tendem a ter uma visão altamente romantizada do “pobre” e esta pode resultar em depressão e desanimo quando a realidade chega. A taxa de evasão neste grupo é alta, talvez 80% ou mais não entram para este tipo de ministério. Contudo, aqueles que passam pelos primeiros dois anos normalmente ficam por muito tempo. Eles podem ter uma tendência para paternalismo quando lidam com pessoas da localidade que eles veem como menos instruídas, menos inteligentes ou menos capazes de lidar com pensamentos teológicos complexos do que eles. Isto fica quase sempre evidente na falta de crescimento entre aqueles que eles alcançam e/ou estão discipulando porque frequentemente eles são mimados ou superprotegidos.
Líderes locais
Este grupo é o futuro à longo prazo do trabalho na periferia. Em Niddrie, muitos de nossos convertidos estão na faixa de 30 a 40 anos de idade (nós temos um estranho na faixa dos 20), mas, independente da idade, muitos deles têm sérios problemas mentais e/ou psicológicos. Eles simplesmente não foram feitos para posições de liderança. Eles são fortes em termos de habilidade relacional com pessoas na comunidade, mas eles não serão a futura liderança da igreja local na periferia. Isto dependerá de um plano de 10 anos (no mínimo). Razão pela qual a equipe ministerial da igreja na Comunidade Niddrie se comprometeu por pelo menos 10 anos e porque, após nos tornarmos independentes, nós mudamos muito do nosso foco para o trabalho com crianças e jovens na periferia. Nós precisamos ter um ministério dinâmico nesta área. É fato que quase nenhum jovem se converteu em Niddrie na última década. Eu estou disposto a arriscar e dizer que essa situação não está restrita a nossa periferia.
Nossos futuros líderes locais estão com aproximadamente 5 anos de idade agora, e, por isso, precisamos investir o nosso tempo, energia e recursos em evangelizar e discipulá-los, possibilitando que cresçam para ser a próxima geração de lideres cristãos nascidos em Niddrie. Como cristãos nas periferias, precisamos trocar a tendência de “mudar-se para melhor”, por “ficar e desenvolver”. Nós precisamos ficar e precisamos ajudá-los a ficar para construir e estabelecer uma comunidade cristã forte, saudável e dinâmica no coração da comunidade.
Líderes com a mesma cultura
Nós podemos continuar recrutando pessoas de fora da cultura enquanto trabalhamos nos objetivos de longo prazo, mas eu acho que perdemos um truque em nosso contexto quando não damos valor para líderes de um mesmo pano de fundo cultural. Eu tenho dois jovens homens na minha equipe atualmente, um escocês e outro inglês. Ambos estiveram presos e cresceram na periferia. Eles possuem uma percepção cultural inata e uma intuição que não podem ser ensinadas. Eles são destemidos quando se trata de lidar com as pessoas da localidade e não têm nenhum problema em compartilhar o evangelho ousada e agressivamente. Eles têm muitas fraquezas, e uma delas não sem importância é uma forma de viver meio caótica. Eles cometem erros, pode faltar a eles disciplina pessoal e eles podem ter dificuldade em vencer a estagnação. Mas eles são ensináveis, espertos e absorvem ensinamento bíblico e doutrina. Novamente, eles aplicam a Bíblia de forma intuitiva sem que alguém tenha que pedir. Existem muitos homens e mulheres assim por todo o país, normalmente isolados como um dedo machucado em congregações de classe média.
Eu já perdi a conta do número de ligações que eu recebo de igrejas espalhadas pelo país falando sobre “fulano” que veio de uma “situação difícil” (leia prisão e/ou drogas) e está “tendo dificuldades de se integrar na igreja” (leia “nós não sabemos como nos adaptar a este indivíduo e ele provavelmente estaria melhor com você”). Em um nível, igrejas como esta deveriam parar de reclamar e apenas lidar com a situação. Faria muito bem a todas as igrejas do país ter pelos menos duas pessoas vindas de uma “situação difícil” e aprender como cuidar delas biblicamente. Não somente isto, mas discipulá-los e se arriscar lhes dando alguma responsabilidade de liderança.

O fato é que uma vez que você tenha vindo de uma “situação difícil”, o perigo é que você se torne o “testemunho oficial” daquela igreja, separado para eventos evangelísticos, mas não visto de fato como um líder em potencial. Digo isso para as pessoas legais de classe média sem “problemas” e que não tem a mesma “bagagem” (se examine!).Em Niddrie, uma das áreas ministeriais que eu gostaria de desenvolver é um curso de treinamento in loco para líderes com este pano de fundo cultural, para poder discipular melhor, equipar e enviar cada um deles às milhares de comunidades necessitadas por todo o país. Nós poderíamos fazer um bom estrago em favor do reino com esta abordagem estratégica de treinamento. Eu acho que esta pode ser uma área chave enquanto tentamos reconquistar terreno em muitos destes lugares.
Este é um tópico sobre o qual eu quero escrever, inclusive lidando com as questões financeiras desta abordagem. Contudo, em parceria com a Porterbrook Training Material, eu acredito que o futuro pode ser muito bom para muitas de nossas periferias na Escócia. Eu acho que pode ser estruturado por meio destes “tipos de liderança” e ajustado para nossas necessidades específicas. O que nossas comunidades precisam é de líderes cristãos jovens, fortes e de todos os panos de fundo, trabalhando juntos, unidos por Cristo e avançando para o reino de Deus em algumas das áreas mais carentes do nosso país.
Por favor, ore por nós à medida que refletimos e trabalhamos nestas ideias em parceria com outros.




domingo, 10 de julho de 2016

Evangelho na Periferia – Princípio 5: Ouça a Comunidade

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  •                                                               

  • Evangelho na Periferia – Princípio 5: Ouça a Comunidade


    Ouvir sua comunidade
    É perceptível em Niddrie que existem muitas organizações habitacionais e várias outras agências sociais, com equipes compostas fundamentalmente por pessoas de fora da comunidade, que impõe suas ideias e seus ideais sobre a comunidade sem muito diálogo. É comum aceitar-se que estes “profissionais” sabem o que nós precisamos. Da mesma maneira, muitas plantações de igrejas, igrejas estabelecidas e ministérios evangélicos podem ser acusados das mesmas atitudes. Por exemplo, uma equipe pode mudar-se para uma periferia com um plano bem elaborado e mesmo assim sua estratégia ter pouquíssimo impacto no local, devido à falta de pesquisa e de compreensão da cultura. Para igrejas estabelecidas e organizações para-eclesiásticas, pode parecer que muito “ministério” está sendo realizado, para todos os efeitos, enquanto há pouquíssimo fruto de longo prazo. Aqueles que pesquisam, obtém sua informação de páginas da internet ou de agências governamentais. Ou ainda, de forma inacreditável, obtém suai informação sobre uma localidade de “ouvir dizer” e opiniões baseadas na “reputação” ou suposições. Um grande perigo de pesquisar os fatos e informações sobre uma área somente em páginas governamentais é que nossa compreensão é distorcida sobre o que uma comunidade precisa a fim de mudar.
    Um bom plantador de igreja, por outro lado, deve não só pesquisar e observar. Ele deve ouvir. Existem perguntas que precisam ser feitas. Por exemplo, quem são os principais líderes na comunidade? Quais grupos comunitários existem na localidade? Quais contêm pessoas do local e quais contêm pessoas de fora? O que as pessoas do lugar acreditam serem as maiores necessidades da comunidade? Como eu afirmei, é fácil pensar “periferia” e então chegar com um conjunto de suposições que por muitas vezes podem ter pouca conexão com a vida aqui dentro. Com o que as pessoas sonham? Qual são as ambições delas (aqueles que ainda as têm)? O que eles pensam que a comunidade precisa para poder melhorar? Por onde elas começariam? Eis aqui uma das mais importantes. Robert Lupton destaca:
    “Isto é comumente referido como o conceito das necessidades sentidas. Ouvir é o mais importante, pois as pessoas da comunidade são os tesouros ocultos do futuro. É importante não focar nas fraquezas ou necessidades da comunidade.”
    Nem a Igreja da Comunidade Niddrie, nem a 20schemes, existem para suprir as necessidades sentidas na periferia. Se assim fosse, então não estaríamos plantando igrejas, uma vez que esta não estaria nem entre as “top mil” necessidades sentidas por qualquer pessoa! Contudo, esta última sentença é interessante. Por que ele enfatiza isso? Bem, ele defende uma abordagem de desenvolvimento comunitário que nos ajuda a tentar focar nos desejos dos moradores da comunidade, que habilidades eles têm e então pensar nestes indivíduos como “bens da comunidade” sobre os quais podemos focar nossas energias. Obviamente, seu contexto se refere a desenvolvimento comunitário, mas eu penso que podemos usar este princípio na plantação de igrejas.
    Como um plantador, a pergunta se torna sobre como podemos fortalecer alguns dos talentos dos cristãos locais em harmonia com a Grande Comissão. Novamente, é fácil olhar para uma periferia como Niddrie e apontar 10 coisas que precisam ser consertadas. Mas o que nós pensamos precisar ser consertado olhando de fora pode nem ser um interesse de alguém do local. O que eles pensam? Certamente, a igreja pode ajudar em aliviar algumas das grandes necessidades da comunidade, mas prestamos um desserviço se assumirmos toda a responsabilidade (e esta nem é nossa principal responsabilidade). Na verdade, podemos ser acusados de enfraquecer a comunidade se tentarmos resolver todos os problemas por eles.
    Nas últimas décadas, em meu ministério pastoral, muitas vezes tive que lidar com pessoas desapontadas com a “igreja institucional”. Pessoas querendo sair e se mudar para outro lugar, algum lugar “melhor”. Minha resposta para estes indivíduos tem sido sempre a mesma.
    “Você não pode mudar alguma coisa se afastando dela. Você só pode causar mudanças efetivas e duradouras estando dentro. Agora, o que você pensa que deveria acontecer e como você vai me ajudar para fazer acontecer?”
    Eu sei que não é o argumento mais poderoso, mas se vamos permanecer e ouvir uma comunidade, nós precisamos estar preparados para ouvir conversas derrotistas sobre “nada mudar nunca”. Nós precisamos ajudar cristãos da localidade a ver que eles, sob o Senhorio de Cristo, são a reposta para os problemas de sua comunidade, não meramente agências externas ou mesmo a igreja.
    É claro que a regeneração espiritual é o alvo final, mas nós precisamos desenvolver nossas habilidades de ouvir para fortalecer nosso evangelismo, juntamente com nosso método de discipulado, para que capacitemos as pessoas não só para assumir responsabilidade por si mesmas e por suas comunidades, mas capacitá-las a se envolver. Nós devemos constantemente avaliar o que estamos fazendo e questionar se estamos aproximando ou afastando as pessoas de depender de qualquer coisa que não seja Jesus Cristo.
    Se vamos causar mudanças duradouras na periferia, então tudo o que fazemos precisa ser sustentável. Por esta razão, enquanto ouvimos, devemos desenvolver ministérios que vão fortalecer as pessoas em suas habilidades e encorajá-las a permanecerem na localidade para benefício de todos. Isto é algo extremamente difícil numa sociedade individualista. Por isso, deve começar dentro do corpo de Cristo. Se estivermos nos mudando para a comunidade, usando nossos dons, servindo uns aos outros para benefício do todo e ao mesmo tempo ouvindo, então este é um ótimo modelo de vida para as pessoas da localidade.
    Ouvir as pessoas. Não é tão fácil como parece, não é?


    Por: Mez McConnel. © 2013 20Schemes. Original: The Keys to Breakthrough in the Housing Scheme (1) Tradução: Fabio Luciano. Revisão: Yago Martins. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: Ministerio Fiel. Original: Evangelho na Periferia – Princípio 5: Ouça a Comunidade Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.




    Série: Igreja na Periferia: Princípios Fundamentais


    Se vamos causar mudanças duradouras na periferia, então tudo o que fazemos precisa ser sustentável. Por esta razão, devemos desenvolver ministérios que vão fortalecer as pessoas em suas habilidades e encorajá-las a permanecerem na localidade para benefício de todos. O post Evangelho na Periferia.


    Veja as outras publicações da série:

    sexta-feira, 17 de junho de 2016

    Evangelho na Periferia – Princípio 4: Desenvolva Líderes

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    Evangelho na Periferia – Princípio 4: Desenvolva Líderes

    Desenvolvimento de líderes
    Esta é uma área chave do ministério na periferia. Muitas igrejas locais neste assunto entregam completamente suas responsabilidades para os seminários, o que pode, em alguns casos, resultar em perda para a igreja e para a pessoa que está sendo treinada. Certamente, na periferia, nós precisamos ter claramente definida uma abordagem multifacetada para desenvolver a próxima geração de líderes. É claro que os líderes mais efetivos são líderes locais, mas o que devemos fazer quando isso não está acontecendo, ou provavelmente não acontecerá por muitos anos? Eu não sou um líder realmente local (de Niddrie), mas eu sou um líder de mesma origem cultural. Eu cresci numa periferia no norte da Inglaterra e, por essa razão, eu conheço a “cultura da periferia”. Em minha equipe ministerial, eu tenho um grupo que consiste de pessoas de classe média vindas de fora (os de fora da cultura), pessoas da localidade e outras de mesma origem cultural. Cada um deles têm suas forças e fraquezas.
    “Os de fora da cultura”
    Estes são geralmente jovens de classe média que têm a periferia no coração, mas não tem a experiência de vida e/ou mentalidade formada por essa cultura.
    Positivo: Eles são normalmente muito inteligentes, bons em aprender e trazem um senso de autodisciplina para equipe. Eles podem ter passado por algum treinamento teológico formal, ou podem estar pensando em fazer isto no futuro. Eles vêm a Niddrie para ganhar alguma percepção e experiência real do que é estar envolvido em um ministério em tempo integral, particularmente neste contexto. Eles quase sempre são fortes em suas habilidades interpessoais.
    Negativo: Eles quase sempre são extremamente ingênuos quando se trata de lidar com (algumas) situações de manipulação. Eles também tendem a ter uma visão altamente romantizada do “pobre” e esta pode resultar em depressão e desanimo quando a realidade chega. A taxa de evasão neste grupo é alta, talvez 80% ou mais não entram para este tipo de ministério. Contudo, aqueles que passam pelos primeiros dois anos normalmente ficam por muito tempo. Eles podem ter uma tendência para paternalismo quando lidam com pessoas da localidade que eles veem como menos instruídas, menos inteligentes ou menos capazes de lidar com pensamentos teológicos complexos do que eles. Isto fica quase sempre evidente na falta de crescimento entre aqueles que eles alcançam e/ou estão discipulando porque frequentemente eles são mimados ou superprotegidos.
    Líderes locais
    Este grupo é o futuro à longo prazo do trabalho na periferia. Em Niddrie, muitos de nossos convertidos estão na faixa de 30 a 40 anos de idade (nós temos um estranho na faixa dos 20), mas, independente da idade, muitos deles têm sérios problemas mentais e/ou psicológicos. Eles simplesmente não foram feitos para posições de liderança. Eles são fortes em termos de habilidade relacional com pessoas na comunidade, mas eles não serão a futura liderança da igreja local na periferia. Isto dependerá de um plano de 10 anos (no mínimo). Razão pela qual a equipe ministerial da igreja na Comunidade Niddrie se comprometeu por pelo menos 10 anos e porque, após nos tornarmos independentes, nós mudamos muito do nosso foco para o trabalho com crianças e jovens na periferia. Nós precisamos ter um ministério dinâmico nesta área. É fato que quase nenhum jovem se converteu em Niddrie na última década. Eu estou disposto a arriscar e dizer que essa situação não está restrita a nossa periferia.
    Nossos futuros líderes locais estão com aproximadamente 5 anos de idade agora, e, por isso, precisamos investir o nosso tempo, energia e recursos em evangelizar e discipulá-los, possibilitando que cresçam para ser a próxima geração de lideres cristãos nascidos em Niddrie. Como cristãos nas periferias, precisamos trocar a tendência de “mudar-se para melhor”, por “ficar e desenvolver”. Nós precisamos ficar e precisamos ajudá-los a ficar para construir e estabelecer uma comunidade cristã forte, saudável e dinâmica no coração da comunidade.
    Líderes com a mesma cultura
    Nós podemos continuar recrutando pessoas de fora da cultura enquanto trabalhamos nos objetivos de longo prazo, mas eu acho que perdemos um truque em nosso contexto quando não damos valor para líderes de um mesmo pano de fundo cultural. Eu tenho dois jovens homens na minha equipe atualmente, um escocês e outro inglês. Ambos estiveram presos e cresceram na periferia. Eles possuem uma percepção cultural inata e uma intuição que não podem ser ensinadas. Eles são destemidos quando se trata de lidar com as pessoas da localidade e não têm nenhum problema em compartilhar o evangelho ousada e agressivamente. Eles têm muitas fraquezas, e uma delas não sem importância é uma forma de viver meio caótica. Eles cometem erros, pode faltar a eles disciplina pessoal e eles podem ter dificuldade em vencer a estagnação. Mas eles são ensináveis, espertos e absorvem ensinamento bíblico e doutrina. Novamente, eles aplicam a Bíblia de forma intuitiva sem que alguém tenha que pedir. Existem muitos homens e mulheres assim por todo o país, normalmente isolados como um dedo machucado em congregações de classe média.
    Eu já perdi a conta do número de ligações que eu recebo de igrejas espalhadas pelo país falando sobre “fulano” que veio de uma “situação difícil” (leia prisão e/ou drogas) e está “tendo dificuldades de se integrar na igreja” (leia “nós não sabemos como nos adaptar a este indivíduo e ele provavelmente estaria melhor com você”). Em um nível, igrejas como esta deveriam parar de reclamar e apenas lidar com a situação. Faria muito bem a todas as igrejas do país ter pelos menos duas pessoas vindas de uma “situação difícil” e aprender como cuidar delas biblicamente. Não somente isto, mas discipulá-los e se arriscar lhes dando alguma responsabilidade de liderança. O fato é que uma vez que você tenha vindo de uma “situação difícil”, o perigo é que você se torne o “testemunho oficial” daquela igreja, separado para eventos evangelísticos, mas não visto de fato como um líder em potencial. Digo isso para as pessoas legais de classe média sem “problemas” e que não tem a mesma “bagagem” (se examine!).Em Niddrie, uma das áreas ministeriais que eu gostaria de desenvolver é um curso de treinamento in loco para líderes com este pano de fundo cultural, para poder discipular melhor, equipar e enviar cada um deles às milhares de comunidades necessitadas por todo o país. Nós poderíamos fazer um bom estrago em favor do reino com esta abordagem estratégica de treinamento. Eu acho que esta pode ser uma área chave enquanto tentamos reconquistar terreno em muitos destes lugares.
    Este é um tópico sobre o qual eu quero escrever, inclusive lidando com as questões financeiras desta abordagem. Contudo, em parceria com a Porterbrook Training Material, eu acredito que o futuro pode ser muito bom para muitas de nossas periferias na Escócia. Eu acho que pode ser estruturado por meio destes “tipos de liderança” e ajustado para nossas necessidades específicas. O que nossas comunidades precisam é de líderes cristãos jovens, fortes e de todos os panos de fundo, trabalhando juntos, unidos por Cristo e avançando para o reino de Deus em algumas das áreas mais carentes do nosso país.
    Por favor, ore por nós à medida que refletimos e trabalhamos nestas ideias em parceria com outros.

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