OS DONS DO ESPÍRITO E A IGREJA ATUAL
Caros irmãos,
Já há algum tempo que tenho sentido um peso em meu coração pelo estado das congregações com relação aos dons espirituais. Fiz um paralelo da história da igreja no Brasil com o texto de Mateus 28, que fala: “18 E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. 19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”
Nos anos 60 experimentamos o poder de Deus através da descoberta do batismo no Espírito Santo. Muitos grupos vivenciaram essa bênção, mergulhando nisso, mas ficaram ali, não foram adiante dessa experiência. Nos anos 70 a Igreja descobriu o mandamento “ide e fazei discípulos”. Foi uma linda descoberta, mas vários grupos não passaram disso. Fizeram discípulos mas esqueceram do poder de Deus através do qual deveriam fazer discípulos, e não perceberam o âmbito no qual deveriam fazer isso.
Na década de 80, houve o entendimento de que se deveria ir a todas as nações, e muitos de nós partimos para alcançar os povos da terra. Mas, uma coisa aconteceu de forma surpreendente nesses anos: formamos homens bons, profissionais dedicados, pais conscientes, famílias exemplares, mas nos esquecemos do poder que geraria a graça para irmos aos povos e isso nos fez esquecer das nações.
O discipulado se tornou em algo mental, baseado no convencimento de uma teologia aparentemente correta – digo aparentemente correta, pois ela deveria ter os elementos que nos levam a buscar uma excelência de caráter, mas esquecemos de que sem o poder do Espírito Santo o que fizermos não tem fruto permanente. Formamos pessoas sem paixão, sem compaixão, e sem a experiência dos dons espirituais para viver aquilo que ensinávamos.
Quantas pessoas desistiram no caminho, entendendo que as verdades ouvidas eram aquilo que deveriam viver, mas por não conseguirem viver, deixaram as nossas congregações? Muitos discípulos passaram a ter a nossa cara ao invés da semelhança de Cristo. Imprimimos em muitos irmãos a nossa forma, esquecendo que a semelhança com Cristo, pregada pela Palavra só pode vir por uma ação do Espírito Santo. Incorremos no risco de ter pessoas à nossa imagem e semelhança.
Tornamo-nos congregações de teologia renovada, mas de prática tradicional. Nossas reuniões se tornaram completamente previsíveis, sem a graça de 1 Coríntios 14:26 que nos ensina qual é o padrão do Senhor: “cada um tem…”. Conformamo-nos com os cultos deste século onde somente uns tem. O Senhor tem nos incomodado a voltar aos dons, buscar a graça poderosa, a experimentar o poder da Ressurreição, viver de novo o evangelho, que é o Poder manifesto de Deus. A dinamite está à nossa disposição, mas ficamos tentando fazer a obra de Deus com bombinhas que só fazem barulho (e muito pouco barulho).
Os argumentos que nos levaram a esfriar são muito. Alguns deles dizem que temos que tomar cuidado com a desordem, com a carnalidade com que alguns usam os dons. Muitos de nós optamos pela ordem dos cemitérios ao invés da desordem de um berçário. É verdade que nos berçários há muito barulho e bagunça, mas, meus irmãos, nos berçários há vida! Temos desejado sair da ignorância dos dons. Temos compreendido que os dons são as ferramentas de Deus para edificação da Igreja, de cada discípulo. Nossa mente tem sido aberta pelo Senhor para compreendermos que é impossível andar, construir, viver, sequer respirar sem o poder do Espírito Santo.
Como podemos edificar sem ferramentas? Sem o poder do Espírito Santo, sem os dons espirituais, a nossa pregação se torna linguagem persuasiva de sabedoria humana. Sem o espírito de profecia perdemos o testemunho de Cristo! Considero os dons espirituais como os andaimes de uma construção. Sem eles somente construímos até a nossa altura. Não conseguiremos levantar as paredes mais além da nossa estatura. Se continuarmos colocando tijolos vamos formar uma fortaleza e não uma casa.
Como poderemos formar nossos filhos sem a Graça poderosa do Espírito Santo? Como poderemos discernir os espíritos sem os dons? Como poderemos curar sem a graça dos dons? E expulsar demônios? E ressuscitar mortos? E falar em novas línguas? E beber coisas mortíferas?
Nesses últimos tempos tenho visto um pouco daquilo que o Senhor quer. Nas últimas reuniões que tenho participado tenho percebido que se buscamos, se pedimos, se batemos, ele nos leva a encontrar, nos dá e nos abre a porta. Temos pedido o Espírito e o Pai tem nos dado o Espírito. Nos dois últimos dias estivemos juntos, um grupo de presbíteros, reunidos em Valinhos e a orientação do Senhor foi que buscássemos os dons na pessoa do Espírito Santo.
Deus nos orientou que estivéssemos abertos para ser usados nos dons e o que vimos foi um derramar maravilhoso da Sua santa presença.
Impusemos as mãos e recebemos imposição de mãos. Falamos em profecia e fomos alvos de profecias. Estendemos as mãos para curar e fomos curados. Foram dois dias de muita intensidade e muita renovação de ânimo e visão. A visão deixou de ser algo penoso e passou a ser algo com júbilo.
Realmente saímos dali com uma convicção muito forte de o fazer discípulos só pode acontecer no poder do Espírito Santo. Sem Ele nada podemos fazer! Parece uma descoberta de algo novo, mas é algo antigo com novo sabor. O Reino de Deus se manifesta através do poder de Deus. É isso que queremos de todo o nosso coração. Queremos manter o nosso cálice transbordante. Queremos ser pessoas cujo coração está sempre fervente. Rogo aos irmãos que façamos a mesma coisa que Jesus fez: roguemos ao Pai que encha os discípulos com o Espírito Santo.
Ele, e somente Ele, vai convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Ele vai nos guiar a toda verdade que é Jesus. Ele vai nos fazer lembrar todas as coisas que Jesus tem nos dito. Ele vai nos ajudar a guardar todas as coisas que Jesus nos ensina. Ele se manifestará a nós. Ele faz de nós a morada de Deus. Ele não vai deixar que nos sintamos órfãos. Nós o veremos e, por causa disso, viveremos. Nós compreenderemos que Jesus está no Pai, que nós estamos em Jesus e Jesus está em nós. Ele glorificará a Jesus em nós e através de nós. Seremos cheios do gozo do Senhor e esse gozo ninguém nos tirará.
Que o Espírito Santo comece a mover os ossos. Ele em nós vai nos ajudar a descobrir o nosso lugar e ministério. Aí os tendões existirão e funcionarão. A carne do corpo de Cristo se manifestará em nós. O Espírito Santo nos tomará, seremos o grande exército do Senhor e a terra será cheia do conhecimento da Glória de Deus.

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